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“Não recebemos suporte”: entregadores expõem desafios da categoria

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Os motoristas de aplicativos e entregadores de plataformas de entrega fazem parte da rotina de milhões de pessoas, garantindo mobilidade e rapidez nos serviços. No entanto, por trás dessa praticidade, muitos desses trabalhadores enfrentam uma realidade marcada pela falta de apoio, pela exposição constante a acidentes e pelos diversos riscos durante a jornada de trabalho. A ausência de garantias trabalhistas, assistência adequada e medidas efetivas de proteção evidencia os desafios enfrentados por uma categoria que desempenha um papel essencial na sociedade, mas que frequentemente trabalha em condições de vulnerabilidade.

Celso Santos, motoboy e criador do perfil @profissaoperigofsa, criado para ajudar e orientar colegas de profissão, relatou, em entrevista ao Dia a Dia News, a falta de apoio aos entregadores.

“Não recebemos qualquer suporte por parte da Prefeitura. Pelo contrário, o órgão pretende implementar um projeto de lei que precariza nossas atividades, comprometendo a qualidade do serviço e elevando os custos, tanto para o passageiro quanto para o condutor.”

Ao explicar como funciona a associação, afirmou:

“O objetivo da nossa associação é promover a união dos motoboys e buscar melhorias contínuas para a nossa categoria, visto que, atualmente, não contamos com apoio do poder público.”

Ao destacar o apoio recebido do vereador Pedro Américo, declarou:

“No âmbito do poder público, o vereador Pedro Américo é a única figura que nos presta auxílio, visto que não recebemos qualquer suporte da Prefeitura ou de suas secretarias. Ressaltamos, inclusive, a ausência total de infraestrutura básica, como a disponibilização de banheiros químicos em vias públicas. Recentemente, o vereador Pedro Américo ofereceu um café da manhã acompanhado de serviços de saúde, como aferição da pressão arterial e exames de glicemia.”

Celso finalizou criticando a atuação da administração municipal:

“Em contrapartida, a administração municipal não tem oferecido o suporte necessário, limitando-se à aplicação recorrente de multas indevidas pela SMT, aparentemente com o intuito exclusivo de cumprimento de metas. Diante desse cenário, buscamos melhorias por meios próprios, por intermédio de mobilizações e do apoio de empresas parceiras, como a Motopel e a Aquilasburg, que frequentemente colaboram com o nosso grupo, Profissão Perigo.”

Bruno Kauan, motoboy e entregador por aplicativo, também destacou os principais desafios enfrentados pela categoria.

“Atualmente, um dos maiores desafios enfrentados é a precariedade do suporte oferecido pelas plataformas de entrega. Em casos de acidentes, o apoio prestado por empresas como iFood e 99 é praticamente inexistente. Embora exista a possibilidade de buscar reparação judicial, trata-se de um processo moroso e incerto. A ausência de uma regulamentação clara agrava essa vulnerabilidade e amplia as dificuldades enfrentadas no cotidiano.”

Ele também chamou atenção para problemas operacionais enfrentados pelos entregadores.

“Além dos riscos inerentes ao trânsito, há impasses operacionais significativos. Embora as diretrizes dos aplicativos estabeleçam que o entregador não é obrigado a subir nos edifícios para realizar a entrega, o descumprimento dessa norma pelo cliente resulta em penalizações para o trabalhador. Se o cliente opta por cancelar o pedido, o entregador também é punido pelo sistema.”

Sobre a segurança no trânsito e o aumento dos acidentes, concluiu:

“Observa-se um aumento preocupante na incidência de acidentes envolvendo motociclistas e motoristas de aplicativos, cenário que se tornou alarmante nos últimos anos devido à alta demanda e à pressão por produtividade. Somado a isso, há a insegurança nos bairros, que tem se intensificado, gerando um sentimento de constante vulnerabilidade, especialmente durante os turnos noturnos.”

O entregador finalizou afirmando que a situação é agravada pela postura de muitos clientes, que frequentemente transferem para o entregador a frustração por problemas relacionados ao aplicativo.

“Mesmo quando o erro não é do profissional, o cliente muitas vezes exige uma solução imediata e, por não compreender as limitações do serviço, chega a adotar comportamentos agressivos como forma de compensação.”

Com informações, escrita:Fernanda Martins Foto:Divulgação

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