Às vésperas do júri do caso Cauã, familiares da vítima se reuniram para falar sobre a expectativa por justiça e relembrar a violência que tirou a vida do jovem em 13 de dezembro de 2024.
A mãe de Cauã afirmou que a família continua abalada e que espera que o julgamento represente uma resposta da sociedade. Segundo ela, a decisão não será capaz de devolver a vida, os sonhos e os momentos vividos com o filho, mas poderá encerrar um ciclo.

Ela também relembrou os momentos que antecederam o crime. Na manhã daquele dia, Cauã estava no banco do passageiro do carro da mãe, a caminho da academia onde estagiava. Durante o trajeto, ela percebeu um veículo Corolla preto se aproximando. Em seguida, segundo o relato, um homem colocou o corpo para fora do carro e efetuou disparos.
A mãe contou que ouviu o barulho do vidro quebrando e, ao olhar para o filho, percebeu que ele estava sem reação. Ela parou o veículo e, ao retornar para falar com Cauã, percebeu que ele ainda respirava. O jovem foi levado ao Hospital Geral Clériston Andrade, onde recebeu atendimento médico.
Quase dois anos após o crime, a mãe afirma que ainda convive diariamente com a dor da perda. Para ela, a fé tem sido fundamental para seguir em frente.
Doação de órgãos
Em meio à tragédia, a família decidiu autorizar a doação dos órgãos de Cauã. Segundo a mãe, o coração do jovem foi transplantado para um homem, enquanto um dos rins foi destinado a uma mulher que enfrentava problemas de saúde e fazia hemodiálise.

A mãe também contou que teve contato com alguns dos receptores e considera a doação uma forma de ressignificar a perda. Ela destacou que o coração de Cauã tem um significado especial, já que acompanhou o filho desde a gestação.
Outro órgão que poderia ter sido doado foi o pulmão, mas o transplante não ocorreu devido à impossibilidade de chegada da equipe responsável.
Expectativa para o julgamento
Para a família, o júri representa a oportunidade de responsabilizar os envolvidos no crime. A mãe ressaltou que a justiça não vai eliminar a dor da perda, mas considera necessária uma resposta à sociedade.
Um dos homens que recebeu um órgão de Cauã deverá acompanhar o julgamento ao lado da esposa. Ele não participará do júri, mas estará presente na sessão como forma de apoio à família.
“Para nós, enquanto família, a gente vai seguir sentindo esse vazio, essa dor. A gente não vai ser restituído, mas a sociedade precisa de resposta”, afirmou a mãe.
Fotos:Carlos Valadares
