CDL de Feira de Santana participa de convenção nacional e debate futuro do comércio com foco em tecnologia e inovação

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Feira de Santana, Juscelino Brito, participou da 58ª Convenção Nacional do Comércio Lojista, a OmniVarejo 2026, realizada entre os dias 27 e 29 de agosto, em João Pessoa, na Paraíba. O encontro reuniu representantes do comércio de diversas partes do país para discutir as transformações do varejo, tecnologia, inteligência artificial, comércio eletrônico, tributação e novas estratégias para o setor.

Juscelino integrou a comitiva de Feira de Santana ao lado do vice-presidente da CDL, Luís Mercês, além de diretores e empresários da região. Para ele, a participação no evento foi uma oportunidade de conhecer experiências que podem ser adaptadas à realidade do comércio feirense.

TECNOLOGIA E O FUTURO DO VAREJO

Durante os três dias de programação, um dos principais assuntos foi a transformação digital e a necessidade de aproximar o comércio físico das plataformas digitais. Juscelino destacou que empresas tradicionais estão investindo cada vez mais em tecnologia para acompanhar o comportamento dos consumidores.

Ele citou como exemplo empresas como a Ferreira Costa, uma rede de farmácias com mais de cem unidades e o Armazém Paraíba, que possuem décadas de atuação no mercado, mas estão apostando em inovação e novas ferramentas digitais.

“Falando sobre tecnologia, sobre plataformas digitais associadas à loja física. E a questão da IA sendo envolvida no processo de venda”, explicou.

Juscelino Brito | Foto: Fernanda Martins

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NAS VENDAS

A inteligência artificial também ganhou espaço nas discussões. Juscelino contou que conheceu durante o evento uma experiência do Armazém Paraíba que utiliza IA para realizar atendimento e vendas durante a noite.

Segundo ele, o consumidor pode conversar com a ferramenta, tirar dúvidas sobre determinado produto e receber informações antes de efetuar a compra. Para Juscelino, a experiência mostra como a tecnologia pode ampliar o horário de atendimento e criar novas possibilidades para o comércio.

Ele também relatou um caso curioso apresentado durante a convenção, em que um consumidor acabou levando a conversa com a inteligência artificial para um assunto relacionado à doação para um grupo de crianças. A situação, segundo Juscelino, mostrou que as empresas também precisam aperfeiçoar as ferramentas para que elas estejam alinhadas aos objetivos comerciais.

LOJA FÍSICA E COMÉRCIO ELETRÔNICO

Para Juscelino Brito, o crescimento do comércio eletrônico não significa o fim das lojas físicas. O desafio está justamente em integrar os dois modelos.

Ele citou a experiência da própria Farmácia Brito, que passou a utilizar plataformas digitais e atualmente consegue vender para consumidores de diferentes estados brasileiros.

“Hoje, por exemplo, a gente tem plataforma digital, hoje a gente tem um e-commerce totalmente digitalizado. (…) A gente vende para São Paulo, vende para Minas Gerais, vende para Amazonas”, afirmou.

Na avaliação dele, o empresário precisa deixar de enxergar o comércio digital apenas como uma ameaça e passar a utilizá-lo como ferramenta para ampliar o alcance dos negócios.

A FORÇA DO WHATSAPP

Outro assunto bastante discutido na convenção foi o uso do WhatsApp como ferramenta de vendas. Juscelino ressaltou que o aplicativo possui grande força comercial, mas alertou que as empresas precisam utilizar a ferramenta de maneira profissional.

Segundo ele, utilizar um número pessoal para realizar vendas pode trazer problemas, inclusive o bloqueio da conta. Por isso, os empresários precisam estruturar canais comerciais adequados.

“Nós mesmos pagamos um valor alto, mas não adianta você querer colocar um WhatsApp aqui hoje, outro amanhã e ser bloqueado, perder aquele número porque estava usando de uma forma irregular”, alertou.

CUIDADO COM AS TAXAS DAS PLATAFORMAS

Juscelino também chamou atenção para os riscos de entrar no comércio eletrônico sem planejamento financeiro. Segundo ele, plataformas de marketplace podem cobrar taxas que comprometem significativamente a margem de lucro das empresas.

Ele explicou que o empresário pode ser atraído pela possibilidade de vender em plataformas como Amazon e Mercado Livre, mas precisa colocar na conta as taxas, custos operacionais, devoluções e perdas.

“Ele tem uma taxa muito alta e você não fez essa conta. (…) Quando você vai pagar esses custos, despesa, produto que você perde, devolução e tudo, você de repente ficou com uma margem negativa”, afirmou.

Para ele, é necessário conhecer profundamente os custos antes de definir os preços e os canais de venda.

QUESTÃO TRIBUTÁRIA

A tributação também esteve entre os temas debatidos na OmniVarejo 2026. Juscelino criticou as diferenças existentes entre os custos tributários do comércio físico e do comércio eletrônico.

Segundo ele, o empresário que mantém uma loja física enfrenta despesas maiores e, em determinados casos, pode encontrar condições tributárias menos favoráveis do que aquelas oferecidas a operações digitais.

“Eu tenho uma loja física com todo o custo e eu tenho uma loja digital pagando 8%, versus uma loja física pagando 20%. Poxa, isso aí é complicado”, declarou.

Na avaliação do presidente da CDL, a discussão sobre competitividade precisa considerar também as condições tributárias enfrentadas pelos diferentes modelos de negócio.

SEBRAE COMO APOIO AO EMPRESÁRIO

Diante de tantas mudanças, Juscelino defende que os comerciantes busquem capacitação antes de investir em novas ferramentas. Ele citou o Sebrae como uma das instituições que podem auxiliar os empresários na estruturação de negócios digitais.

Segundo ele, o empresário pode receber orientações sobre plataformas, estratégias de vendas, atuação em múltiplos canais e formação de preços.

“Procure o Sebrae. O Sebrae tem essas orientações”, reforçou.

Juscelino também citou a realização de um seminário previsto para novembro, no Centro de Convenções, com foco justamente no mercado digital e voltado aos empresários.

APLICAÇÃO IMEDIATA DOS CONHECIMENTOS

O presidente da CDL afirmou que não pretende deixar os conhecimentos adquiridos na convenção apenas no campo das ideias. Segundo ele, as informações começaram a ser discutidas com as equipes da empresa ainda durante a viagem.

“Eu já comecei a colocar em prática do dia que eu estava lá. Eu fico muito inquieto, começo a anotar aquilo ali e vou mandando para o pessoal do marketing, para o pessoal de TI, do administrativo”, contou.

Para Juscelino, participar de eventos nacionais permite conhecer experiências concretas e entender como empresas de diferentes portes estão enfrentando as mudanças do mercado.

IDEIAS PARA FEIRA DE SANTANA

A intenção da CDL é trazer parte desse conhecimento para Feira de Santana. Juscelino afirmou que a entidade pretende realizar um evento para empresários locais, reunindo os principais aprendizados obtidos durante a convenção.

“Foi muito enriquecedor o que nós participamos desse evento em João Pessoa. A nossa intenção é replicar aqui para Feira de Santana em um evento da CDL”, disse.

Segundo ele, a proposta é contribuir para que os comerciantes da cidade estejam mais preparados para as transformações do varejo.

JOÃO PESSOA E O CRESCIMENTO DO TURISMO

Além da programação empresarial, Juscelino também destacou a estrutura encontrada em João Pessoa. Ele afirmou ter ficado impressionado com a organização da cidade e com os investimentos realizados na área de turismo e hotelaria.

“Eu fiquei encantado com o que eu vi na Paraíba. Organização, crescimento, uma cidade muito bem estruturada. Lá em João Pessoa eu vi que eles estão trabalhando muito bem a parte de turismo, a parte de hotelaria”, afirmou.

A experiência, segundo ele, também serve como referência para observar como outros destinos estão trabalhando para fortalecer suas economias.

BAHIA PODE SEDIAR PRÓXIMA CONVENÇÃO

Durante a participação no evento, Juscelino também revelou uma possibilidade que pode interessar diretamente ao setor empresarial baiano. Segundo ele, existe a expectativa de que a Bahia possa sediar a próxima edição da Convenção Nacional do Comércio Lojista.

A informação ainda não está confirmada, mas Juscelino afirmou que já existe uma articulação nesse sentido.

Caso seja escolhida, a Bahia poderá receber representantes do comércio de diferentes estados brasileiros para discutir justamente as transformações e os novos caminhos do varejo.

COMÉRCIO PRECISA ACOMPANHAR AS MUDANÇAS

Ao avaliar os debates realizados em João Pessoa, Juscelino Brito reforçou que o comércio precisa acompanhar as mudanças tecnológicas e não pode ficar apenas reagindo ao crescimento do digital.

Para ele, ferramentas como inteligência artificial, comércio eletrônico, WhatsApp e plataformas digitais já fazem parte da realidade do varejo e precisam ser utilizadas de maneira planejada.

“Não adianta ficar reclamando, não adianta falar aí do digital, mas a gente precisa entender esse negócio e participar disso”, concluiu.

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