Unagro amplia presença na Expofeira
A União dos Agropecuaristas da Bahia, Unagro, participa pelo terceiro ano consecutivo da Expofeira, em Feira de Santana. Neste ano, a entidade apostou em uma estrutura maior e mais confortável para receber produtores rurais, empresários e visitantes durante a programação da 47ª Exposição Agropecuária.
De acordo com o presidente da Unagro, Luiz Bahia Neto, a proposta vai além de manter um espaço institucional dentro do Parque de Exposições. A intenção é transformar o estande em um ponto de encontro para produtores de diferentes regiões da Bahia.
“Esse ano tentamos caprichar para fazer um estande mais confortável para o nosso produtor, realmente fazer um ambiente de interação, de encontro, até porque a gente sabe que a Expofeira não é de Feira. A Expofeira é da região, a Expofeira é da Bahia”, afirmou.
Segundo Luiz Bahia Neto, a presença de produtores de diferentes municípios também contribui para a troca de experiências e para a realização de negócios.
“É uma oportunidade aqui do produtor rural que reside em outros locais do estado se encontrar aqui, conversar, fazer negócio. Então esse é o nosso principal objetivo, até porque uma das bandeiras prioritárias da Unagro é justamente unir o produtor rural do estado.”
Movimento e receptividade dos produtores
A avaliação da entidade sobre os primeiros dias da Expofeira é positiva. Luiz Bahia Neto destacou o movimento registrado durante o domingo e, principalmente, no feriado de 7 de setembro.
“Foi muito boa, muito boa. No domingo, a Expofeira teve um público muito bom. Na segunda-feira, que foi o feriado de 7 de setembro, mais ainda.”
Além do movimento de visitantes, o presidente da Unagro destacou a oportunidade de reencontrar produtores e parceiros, discutir os desafios do setor e também acompanhar as mudanças realizadas no Parque de Exposições.
“Encontramos muitos amigos aqui, muita gente boa conversando, tomando um cafezinho aqui, fazendo negócio, falando do agro, prestigiando e até parabenizando pelas mudanças que aconteceram aqui no Parque de Exposições.”
Mudanças no Parque de Exposições
Luiz Bahia Neto também avaliou as intervenções realizadas no Parque de Exposições e citou a participação da Prefeitura de Feira de Santana e de diferentes secretarias na estruturação do evento.
“O prefeito José Ronaldo, juntamente com o secretário de Agricultura Silvanê Araújo, realmente capricharam aqui. Também não posso esquecer das outras secretarias, como Serviços Públicos, como a parte de segurança. Tudo junto, né? É o que compõe uma feira como essa.”
Entre as mudanças destacadas está a ampliação do redondel, espaço utilizado para atividades e provas relacionadas ao setor agropecuário.
“Nós temos um redondel muito maior do que antes, que comporta até três provas ao mesmo tempo.”
O presidente da Unagro também chamou atenção para o crescimento do espaço destinado às empresas.
“Nós temos aqui um espaço para a empresa estar expondo aqui as suas marcas, com quase três vezes mais empresas do que na última feira.”
Rodeio e novas atrações
A programação deste ano também conta com atrações que, segundo Luiz Bahia Neto, ampliam o alcance da Expofeira para além do público diretamente ligado à produção rural.
Ele destacou o retorno do rodeio e a realização de leilões, incluindo um evento voltado para a raça Quarto de Milha.
“Então, nós vamos ter o retorno do rodeio aqui a partir de quinta-feira, que há muitos anos não tinha. É mais um entretenimento pra cidade.”
E acrescentou:
“Já tem um leilão hoje. Já temos um leilão de Quarto de Milha hoje, que também não tinha. É uma novidade pra Expofeira.”
Na avaliação dele, a exposição tem uma função econômica, mas também representa uma opção de lazer para a população de Feira de Santana e de cidades da região.
“A Expofeira não é uma feira só pra produtor. A Expofeira é uma feira pra cidade também. É uma feira de entretenimento.”
Expofeira aproxima a população do campo
Para Luiz Bahia Neto, a localização de Feira de Santana, no Portal do Sertão, favorece essa aproximação entre a população urbana e as atividades do campo.
“Feira de Santana é uma cidade que tá no Portal do Sertão. As pessoas que moram em Feira gostam do campo. Gostam do agro, então vêm pra cá prestigiar.”
Ele destacou ainda a presença das famílias no Parque de Exposições.
“Vem pra cá trazer seu filho pra poder montar num pônei, montar num cavalo, ir no parque de diversões, ver o rodeio, ver o Timbalada. Então a Expofeira é tudo isso e, graças a Deus, nós estamos superando as expectativas.”
Unagro cobra solução para gargalos ambientais
Além da participação na programação da Expofeira, a Unagro aproveita o evento para apresentar as principais reivindicações do setor produtivo.
Luiz Bahia Neto explicou que a entidade tem como bandeiras prioritárias a defesa do produtor rural e da propriedade privada, mas também acompanha problemas que interferem diretamente na atividade agropecuária.
“A Unagro tem as suas bandeiras prioritárias, que acima de tudo é defender o produtor rural e defender a propriedade privada.”
Entre os pontos citados está a demora na análise de processos ambientais pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, o Inema.
“Hoje a lentidão dos processos que tramitam no Inema, que é o órgão ambiental do estado e que hoje demora em média 18 meses para liberar, para autorizar ou para indeferir uma supressão de vegetação numa propriedade rural aqui no estado.”
Para o presidente da entidade, a discussão passa pela necessidade de tornar mais ágil o andamento desses processos.
“Nós estamos aqui para isso, para promover o diálogo e para cobrar essas melhorias aí, destravar esses gargalos desse setor que é tão importante não só para a Bahia, mas para o Brasil, que é o agronegócio.”
Recuperação judicial preocupa o setor
Outro assunto acompanhado com atenção pela Unagro é a situação financeira dos produtores rurais e o crescimento dos pedidos de recuperação judicial no setor.
Luiz Bahia Neto afirmou que o cenário exige atenção, especialmente diante do aumento das dificuldades enfrentadas pelos produtores.
“Houve um aumento de mil por cento das recuperações judiciais no estado, ou melhor, no Brasil. E com a Bahia não é diferente, a Bahia está dentro desse mesmo contexto.”
Na avaliação dele, o número demonstra que o setor atravessa um período de dificuldades e reforça a necessidade de mecanismos que permitam ao produtor reorganizar suas atividades e seus compromissos financeiros.
“Isso mostra que o setor passa por uma fase desafiadora.”
Informação e planejamento para o produtor
A Unagro também vem desenvolvendo iniciativas voltadas à capacitação dos produtores rurais. Entre elas está o Educa Rural, projeto apresentado como um braço da entidade para levar informação, educação e capacitação ao campo.
Luiz Bahia Neto lembrou que o projeto piloto foi realizado em Feira de Santana, com programação no Senar, e abordou temas relacionados às perspectivas climáticas e aos impactos que podem atingir a produção.
“É um braço da Unagro que foi criado para trazer informação, educação, capacitação para o produtor.”
Entre os temas discutidos esteve a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño e os possíveis reflexos para o setor agropecuário.
“E uma das palestras que aconteceu aqui em Feira de Santana, no Senar, onde aconteceu o evento, foi falando sobre isso, as reais possibilidades de acontecer o El Niño.”
Segundo ele, antecipar informações é importante para permitir que o produtor se organize.
“Isso tudo é pra trazer o quê? Previsibilidade, programação pro produtor. Pra evitar o prejuízo pro produtor e pro setor.”
Segurança no campo continua sendo preocupação
A segurança rural também aparece entre as principais preocupações da Unagro. Luiz Bahia Neto afirmou que o problema não está restrito à zona rural e que a insegurança atinge diferentes áreas.
“O problema da segurança na Bahia, ele é em todas as áreas. Ele é no campo, é na cidade, é um problema que está instalado, não é novidade para ninguém.”
O dirigente lembrou de ocorrências registradas na região do Recôncavo Baiano, especialmente relacionadas ao furto de animais.
“Nós tivemos problemas o ano passado, um problema muito intenso aqui na região, na região aqui do Recôncavo Baiano. Nós estávamos tendo furto de animais quase que uma ocorrência por semana.”
Diante da situação, a Unagro diz ter intensificado a cobrança por medidas de segurança.
“Foi feita uma ação muito intensa da Unagro, cobrando segurança nessa região.”
Defesa da propriedade privada
A defesa da propriedade privada também é apresentada por Luiz Bahia Neto como uma das principais bandeiras da entidade.
“Nós tivemos problemas no ano retrasado de invasões de propriedades, que também é uma ausência da segurança em proteger a propriedade privada.”
Ele lembrou que a defesa da propriedade foi uma das primeiras pautas levantadas pela organização.
“Foi também uma ação, foi na verdade a primeira bandeira que a Unagro realmente hasteou e lutou com os produtores, foi na defesa da propriedade em relação às invasões de propriedade.”
Para o dirigente, a segurança é uma condição necessária para garantir a continuidade da produção.
“Cabe a nós cobrar, cobrar, cobrar, reivindicar, porque o produtor rural paga imposto, o produtor rural produz, emprega, investe e precisa ter segurança para produzir.”
Produção brasileira e mercado internacional
Durante a entrevista, Luiz Bahia Neto também chamou atenção para o papel do agronegócio brasileiro no mercado internacional. Segundo ele, a qualidade da produção nacional faz com que diversos produtos brasileiros cheguem a consumidores de outros países.
“O Brasil hoje alimenta 20% do mundo. Então é o maior produtor de alimentos.”
Ele destacou que produtos de alta qualidade são destinados ao mercado externo, enquanto também existe a necessidade de garantir condições para o consumidor brasileiro.
“Os melhores produtos produzidos aqui no Brasil são exportados.”
Para o presidente da Unagro, é necessário encontrar equilíbrio entre a força exportadora do agronegócio e a capacidade de consumo dentro do próprio país.
“É preciso que a gente olhe aqui pra dentro também. Não é? Não é só jogar para lá, não é só importar. É preciso que a gente olhe para o que a gente produz aqui, para a qualidade dessa produção, para a manutenção dessa produção.”
Exportações de carne e impactos para o produtor
Luiz Bahia Neto também comentou as dificuldades relacionadas ao comércio internacional de carne bovina. Ele citou restrições e aumento de tarifas que, segundo sua avaliação, podem trazer impactos para o produtor brasileiro.
“Esse mês de setembro foi suspensa a exportação de carne bovina para a União Europeia. Então nós não podemos hoje, nesse momento, exportar carne brasileira para a União Europeia.”
Na avaliação dele, uma eventual redução das exportações pode aumentar a oferta no mercado interno e pressionar os preços.
“Isso prejudica principalmente o produtor rural brasileiro, porque ele fez um boi, ele produziu um boi de extrema qualidade, de um custo elevado para um público que é muito exigente, que é o da União Europeia e que pode pagar esse valor, e nesse momento ele não pode exportar.”
Ele também citou as tarifas envolvendo o mercado chinês.
“Tem também a taxação dos Estados Unidos, que é outro ponto que também contribui negativamente. Tem a taxação dos Estados Unidos e tem a taxação da China.”
Segundo Luiz Bahia Neto, o aumento das tarifas pode dificultar a entrada da carne brasileira nesses mercados.
“Isso inviabilizou a carne brasileira na China.”
O dirigente alertou para o possível efeito de uma redução das exportações sobre o mercado interno.
“Todos esses problemas, eles fazem o quê? Que a carne brasileira, não saindo do Brasil, ela encharque o mercado. Isso vai jogar o preço da carne para baixo e vai prejudicar o produtor rural do Brasil.”
Unagro defende providências
Diante desse cenário, Luiz Bahia Neto defendeu a adoção de medidas administrativas para enfrentar os problemas que atingem as exportações brasileiras.
“É preciso que o Ministério da Agricultura, com responsabilidade administrativa, verifique o que ocorreu, os problemas que ocasionaram essas suspensões, essas elevações de taxas.”
Ele também citou a necessidade de adequações para atender às exigências dos mercados internacionais.
“Foi a questão dos antimicrobianos, que era uma coisa facilmente resolvida. Seria apenas uma adequação nos medicamentos que são utilizados nos animais.”
Para o presidente da Unagro, a solução dos entraves precisa ser tratada com prioridade porque os efeitos recaem diretamente sobre quem está no campo.
“Então isso aí, logicamente, que é uma questão de responsabilidade administrativa, precisa ser visto, porque é o produtor rural que vai pagar essa conta.”
Expofeira como espaço de diálogo
Ao final da entrevista, Luiz Bahia Neto reforçou a importância da Expofeira como espaço de encontro entre produtores, entidades, empresas e representantes de diferentes segmentos ligados ao agronegócio.
Para a Unagro, o evento não representa apenas uma oportunidade de exposição, mas também um ambiente para discutir os desafios do setor, apresentar reivindicações e aproximar quem vive da atividade rural.
A entidade segue com o estande aberto durante a programação da 47ª Expofeira, mantendo a proposta de receber produtores e fortalecer o diálogo sobre temas que impactam diretamente o campo baiano.