A segurança pública está entre as principais preocupações da população. Mesmo quando os números oficiais apontam redução em determinados índices de criminalidade, a percepção de quem vive diariamente nas ruas pode ser diferente. O medo ao sair de casa, caminhar por determinadas regiões, esperar pelo transporte público ou retornar do trabalho durante a noite faz parte da realidade relatada por muitos moradores.
Para falar sobre esse cenário, o Coronel Luziel Andrade participou do Dia a Dia News e destacou a importância de analisar a segurança não apenas a partir das estatísticas, mas também levando em consideração a participação da população, o trabalho integrado entre os órgãos públicos, o uso da tecnologia e a necessidade de prevenção.
Redução dos índices de violência
Segundo o Coronel Luziel Andrade, os dados divulgados pelos órgãos de segurança apontam para uma redução nos índices de violência. Ele ressaltou, no entanto, que o combate à criminalidade precisa ser contínuo, já que mesmo uma ocorrência isolada representa uma preocupação.
“Segurança é um quesito que todos nós queremos, desejamos e pleiteamos. Todos buscamos. Feira de Santana, apesar de ter um destaque muito grande na imprensa, e é um destaque que às vezes vai para a população de uma forma assim como que levando uma mensagem negativa, a gente vê que a busca pela segurança é constante e está sempre se aprimorando e buscando trazer resultados mais produtivos”, afirmou.
O coronel destacou que os resultados apresentados pelas forças de segurança precisam ser acompanhados ao longo do tempo.
“A redução é notória, a redução está se fazendo presente a cada mês. A gente vê na divulgação dos relatórios dos órgãos de segurança, Polícia Militar, Polícia Civil, que esses índices estão sempre em redução”, declarou.
Apesar disso, ele reforçou que a redução dos números não significa que o trabalho possa ser interrompido.
“Essa busca tem que ser constante, porque a violência, por mais que ela seja mínima, um fato que aconteça é um fato que deve ser lamentado”, pontuou.
Sensação de insegurança também precisa ser considerada
A percepção da população sobre a segurança pode ser influenciada por diferentes fatores. Um crime ocorrido próximo à residência, relatos de moradores, notícias divulgadas diariamente e até mesmo problemas urbanos podem contribuir para aumentar o medo.
Para o Coronel Luziel, a segurança precisa ser construída de maneira coletiva, com participação dos órgãos públicos e também da sociedade.
“Segurança é um quesito que é de responsabilidade de todos, mas dos órgãos que vivem combatendo a segurança. Mas o cidadão, as pessoas de um bairro, de uma rua, todos também são responsáveis”, afirmou.
De acordo com ele, os moradores podem colaborar especialmente fornecendo informações que auxiliem na identificação de situações de risco e na elucidação de crimes.
“No mínimo, em colaborar com os órgãos de segurança, naquilo que diga respeito à elucidação, ou até mesmo à eliminação de determinados atos praticados de violência em alguma localidade”, explicou.
Crimes contra a vida são uma das maiores preocupações
Questionado sobre quais crimes mais preocupam atualmente, o Coronel Luziel Andrade destacou os crimes contra a vida.
“Eu acredito que o crime que mais preocupa a todos nós é o crime contra a vida”, afirmou.
O coronel ressaltou que a vida é um bem que não pode ser recuperado depois de perdido e que, por isso, crimes dessa natureza têm consequências irreversíveis.
“É um dom que nós temos, cada um tem, é um dom dividido por Deus, e é o dom maior”, declarou.
Segundo ele, não existe justificativa para um ato que retire a vida de outra pessoa.
“O atentado ou concretizado contra uma vida é um crime que não tem retorno, não se paga, não se sabe o valor, porque se trata de uma vida”, afirmou.
Ele acrescentou:
“É justamente um ato de violência em detrimento dessa vida criada por alguém que não sabe nem a que ponto pode se viver melhor do que outro ou a ponto de ter a vida de outro.”
Para o coronel, a violência contra a vida representa uma situação que ultrapassa qualquer questão material.
“É um crime que realmente não tem retorno. Nenhuma explicação, não se justifica e é brutal”, disse.
Não é possível apontar apenas um bairro como foco da violência
Outro assunto abordado durante a entrevista foi a existência de áreas específicas de Feira de Santana que exigiriam uma atenção maior das forças de segurança.
O Coronel Luziel Andrade afirmou que é preciso ter cuidado ao classificar determinada região como mais violenta com base apenas em registros pontuais.
“Toda violência prevê uma atenção, um cuidado e um trabalho minucioso na sua eliminação”, explicou.
Segundo ele, a divulgação de uma ocorrência pode fazer com que determinado bairro seja associado imediatamente à violência, mesmo sem uma análise mais aprofundada dos dados.
“A situação da gente apontar um determinado bairro, rua ou local, assim, hoje eu acredito que fica um pouco complicado”, afirmou.
O coronel explicou que uma ocorrência registrada em determinada região não necessariamente significa que aquele local concentra a maior parte dos crimes.
“Às vezes a imprensa divulga uma situação de um determinado bairro e, na verdade, a gente não pode afirmar até que ponto essa violência apontada é aquela predominante”, disse.
Registros oficiais não mostram toda a realidade
Luziel Andrade também chamou atenção para uma questão importante: nem todas as ocorrências chegam ao conhecimento formal das autoridades.
“Às vezes você não tem crime nenhum, você registra um crime em um determinado bairro, esse bairro passa a ser o mais violento ou apontado como mais violento”, afirmou.
Segundo ele, existem situações que são resolvidas no próprio local e outras que não chegam a ser registradas em uma delegacia.
“Às vezes os fatos registrados na delegacia são fatos que são registrados porque vai acabar na delegacia, mas sabemos que tem muitos fatos que são resolvidos no local ou que não chegam ao registro da delegacia”, explicou.
Essa diferença, segundo o coronel, pode dificultar uma análise mais precisa da violência em cada região.
“Hoje nós temos algumas informações, mas são informações superficiais, que não se sustentam numa pesquisa mais detalhada, mais apurada”, afirmou.
Observatório da Violência busca aprofundar análise
Durante a entrevista, o Coronel Luziel Andrade citou a criação do Observatório da Violência no município como uma iniciativa que pode ajudar a compreender melhor a dinâmica da criminalidade em diferentes regiões.
Segundo ele, o objetivo é reunir e analisar informações de maneira mais detalhada.
“O município aprovou recentemente a criação do Observatório da Violência. Esse observatório, o grande objetivo dele é fazer o estudo minucioso do avanço da violência, da existência da violência, especificamente em cada bairro, em cada local”, declarou.
A proposta, conforme explicou, é entender não apenas onde os problemas acontecem, mas também quais fatores podem estar contribuindo para determinadas ocorrências.
“Após isso aí, nós vamos identificar o que motiva e o que facilita com que aconteça essas situações”, explicou.
Para o coronel, uma análise mais detalhada pode permitir que diferentes setores públicos atuem sobre os problemas encontrados.
Segurança também envolve iluminação, trânsito e estrutura urbana
A discussão sobre segurança, segundo Luziel Andrade, não deve ficar restrita à presença policial. Para ele, fatores relacionados à infraestrutura das comunidades também precisam ser observados.
O coronel defendeu um olhar mais amplo para identificar problemas que podem contribuir para a sensação de insegurança.
“Eu acredito que a gente tem que fazer esse padrão inverso agora e até as pessoas dali partirem para operações, para atitudes, que seja com trânsito, que seja com iluminação, que seja com a parte de até escoamento de água, do que seja”, afirmou.
A ideia, segundo ele, é observar as características de cada localidade e identificar quais intervenções podem melhorar a segurança e a qualidade de vida dos moradores.
“De modo que a gente possa ter realmente um olhar mais crítico e analítico por local”, completou.
Participação da comunidade
Para o Coronel Luziel, o envolvimento da comunidade é indispensável, principalmente porque as forças de segurança não conseguem estar presentes fisicamente em todos os locais ao mesmo tempo.
“A polícia não tem como ter polícia em cada esquina, em cada rua”, afirmou.
Por isso, ele defendeu uma aproximação maior entre moradores e órgãos de segurança.
“Então, a gente precisa ter esse apoio da população”, declarou.
O coronel também reconheceu que existem pessoas que deixam de procurar as autoridades para registrar ocorrências ou comunicar situações por diferentes motivos.
“Sabendo, sim, que tem muitas pessoas que não se dirigem a um registro de ocorrência, talvez até por não confiar no órgão onde ele está buscando apoio”, afirmou.
O papel das famílias na prevenção
Durante a entrevista, Luziel Andrade também falou sobre a prevenção dentro de casa e o papel das famílias para evitar que jovens sejam atraídos para a criminalidade.
Segundo ele, é necessário desenvolver um trabalho de conscientização para impedir que crianças e adolescentes sejam inseridos no mundo do crime.
“Nós sabemos, nós temos conhecimento que tem muitas famílias que convivem com delinquentes dentro de casa. Eu acredito que tem que ser feito um trabalho de conscientização, que as pessoas têm que cada vez mais fazer gestão para que o seu filho não se envolva no mundo do crime”, declarou.
Ele destacou ainda que muitas famílias acabam enfrentando situações de violência envolvendo jovens.
“Hoje tem famílias que perdem um jovem com 15, 17, 18 anos de idade”, afirmou.
Para o coronel, a prevenção precisa começar dentro das próprias comunidades.
Medo não pode determinar a rotina dos moradores
Luziel Andrade também falou sobre situações em que moradores passam a modificar completamente a própria rotina por causa da violência.
Ele citou como exemplo comunidades onde as pessoas deixam de sair de casa em determinados horários.
“A pessoa que aceita ficar em uma rua onde depois de sete horas da noite não pode sair à porta, que não pode transitar, que não pode sair, que para chegar do trabalho tem que estar prestando conta”, afirmou.
Segundo o coronel, situações como essa precisam ser enfrentadas com a participação da comunidade e dos órgãos responsáveis.
“As pessoas têm que entender que elas têm que enfrentar também”, declarou.
Ele ressaltou que o enfrentamento da violência não deve ser entendido apenas como uma ação policial.
“Não é só o quesito segurança que vai chegar lá para trocar tiro, para pôr a vida também em risco, de enfrentamento, e esse enfrentamento continuar se perpetuando”, afirmou.
Importância da denúncia
O coronel reforçou que a população deve comunicar situações criminosas às autoridades, inclusive utilizando mecanismos que preservem a identidade do denunciante.
“As pessoas têm que denunciar, sim, anonimamente, ou de que forma for, para que cada vez mais isso vá reduzindo, vá se diminuindo”, declarou.
Para ele, o silêncio diante de situações criminosas pode contribuir para que determinados problemas permaneçam dentro das comunidades.
“Quando eu falo em envolver a comunidade em si, é envolver no sentido de mostrar os atos de violência e o que acontece com a permissão de você conviver aceitando a violência do seu lado”, afirmou.
Tecnologia como aliada da segurança
Outro ponto destacado pelo Coronel Luziel Andrade foi o avanço da tecnologia. Segundo ele, ferramentas tecnológicas passaram a ter um papel importante na prevenção, no monitoramento e na investigação de ocorrências.
“A tecnologia é o caminho de evolução mais programada e mais aperfeiçoada no momento para combater o crime”, afirmou.
Para o coronel, o uso desses recursos permite que as forças de segurança trabalhem com mais informações.
“Porque é com inteligência que se faz, e o controle através de videomonitoramento, por exemplo, ele aperfeiçoa essa inteligência, lhe ajudando, lhe auxiliando a você ter um fato, o fato real de que maneira aconteceu”, explicou.
Reconhecimento facial e monitoramento
O Coronel Luziel também citou o reconhecimento facial como uma ferramenta utilizada em determinados locais e eventos.
“Hoje, a identificação facial, em alguns pontos, onde concentra muitas pessoas, em eventos, ela reduz a violência, porque as pessoas sabem que estão sendo monitoradas”, afirmou.
Segundo ele, a presença de sistemas de monitoramento pode contribuir também para uma identificação mais rápida dos responsáveis por determinadas ocorrências.
“A justiça da cobrança da responsabilidade pelos seus atos vai chegar de uma forma mais rápida”, declarou.
Para Luziel Andrade, o investimento em tecnologia precisa acompanhar a evolução das estratégias utilizadas pela criminalidade.
“Então, a tecnologia tem avançado muito. Hoje a identificação facial, em alguns pontos, onde concentra muitas pessoas, em eventos, ela reduz a violência”, reforçou.
Integração das câmeras do Estado e do município
O coronel destacou ainda a integração dos sistemas de monitoramento existentes em Feira de Santana.
“Existiam aqui câmeras do Estado e câmeras do município. Hoje essas câmeras todas são intercaladas, onde uma alimenta a outra”, afirmou.
Segundo ele, a integração permite ampliar a capacidade de acompanhamento das áreas monitoradas.
“De modo que hoje tanto o Estado como o município passam a ter o controle de visão, de controle dessas câmeras, na sua totalidade”, explicou.
Para o coronel, a ampliação da rede de monitoramento representa uma ferramenta adicional no trabalho de combate à criminalidade.
“Então você sai de um número para um número bem maior. E isso também ajuda nesse combate”, afirmou.
Identificação de criminosos pode contribuir para reduzir novas ocorrências
Luziel Andrade também destacou que o monitoramento pode ser importante não apenas para esclarecer uma ocorrência depois que ela acontece, mas também para aumentar a percepção de que atos criminosos podem ser identificados.
“O grande problema da violência é quando ela acontece e não é esclarecida, não se sabe quem causou a violência”, declarou.
Segundo ele, quando há identificação e responsabilização, existe um efeito sobre a dinâmica da criminalidade.
“Porque quando você descobre quem causou e mostra a punição, a tendência é que isso se vire evento, cada vez mais atingindo pessoas que passam a se controlar ou a evitar cometer atos de violência contra terceiros”, afirmou.
Prevenção precisa fazer parte da rotina
Ao final da entrevista, o Coronel Luziel Andrade reforçou a necessidade de medidas preventivas por parte dos cidadãos.
“É obrigação de todos combater a segurança porque todos nós somos vítimas”, afirmou.
Ele citou situações cotidianas que exigem atenção, como deslocamentos por locais pouco iluminados.
“Hoje não tem ninguém que não se diga vítima. E pensa em sair de casa, de chegar em um determinado momento e ir em uma rua onde a iluminação não seja boa”, explicou.
Para ele, a prevenção precisa fazer parte da rotina da população.
“A gente tem que fazer a prevenção hoje de todas as formas”, declarou.
Direito de ir e voltar com segurança
O coronel também ressaltou que a população deseja ter liberdade para realizar atividades básicas sem precisar conviver constantemente com o medo.
“Queremos ter tranquilidade, queremos ter o direito de viver. Queremos saber que os nossos filhos vão para a escola”, afirmou.
Ele citou ainda o direito de trabalhadores e moradores circularem livremente pela cidade.
“Todo mundo quer ter o direito de ir e voltar para o seu trabalho, retornar para as suas casas”, declarou.
Segundo Luziel Andrade, quando determinadas áreas passam a ser controladas pelo medo, a rotina dos moradores acaba sendo afetada.
Insegurança altera a rotina das comunidades
O coronel observou que a sensação de insegurança pode fazer com que moradores passem a restringir seus deslocamentos e atividades.
“Cada vez mais se comenta: ninguém entra, bairro tal, tal hora não pode, isso aqui não pode, para fazer tem que ter permissão”, afirmou.
Para ele, quando essas restrições passam a fazer parte da rotina, a comunidade acaba convivendo com um cenário de insegurança permanente.
“Então cada vez mais as pessoas vão se prendendo, vão se adicionando a certas situações e só vai criando cada vez mais um mal-estar com a insegurança”, declarou.
Trabalho conjunto entre população e órgãos de segurança
Na avaliação do Coronel Luziel Andrade, o enfrentamento da violência depende da união de diferentes setores.
“As pessoas têm que entender que todos têm que ajudar e os órgãos de segurança são esses braços que podem chegar aonde o cidadão, se não tem aquele treinamento, não tem aquela expertise, não tem a finalidade disso”, afirmou.
Ele ressaltou que o cidadão possui outras responsabilidades e que sua principal função é poder trabalhar, estudar, cuidar da família e retornar para casa.
“A pessoa tem a finalidade de ir para o seu trabalho e retornar”, declarou.
Por isso, segundo o coronel, a colaboração com as autoridades pode ocorrer principalmente por meio da informação.
Mensagem final à população
Ao encerrar a entrevista, Luziel Andrade reforçou que a população precisa manter medidas de prevenção, mas também colaborar com os órgãos responsáveis pela segurança.
“É claro que a pessoa tem que se precaver, tem que fazer as coisas, devia ter um critério de segurança próprio, mas que todos nós não deixemos de apoiar e de fazer aquilo que os órgãos de segurança objetivam, que é a redução da violência”, afirmou.
O coronel destacou ainda a importância de comunicar informações que possam contribuir para a atuação das forças de segurança.
“Que as pessoas cada vez mais também tenham o medo, o receio de contribuir, informando quem está fazendo, quem fez, de que forma possa facilitar que cada vez mais isso vai reduzindo, vai diminuindo”, concluiu.
