O que é a trombose e quais são os tipos
A trombose venosa é uma condição caracterizada pela formação de um coágulo sanguíneo no interior de uma veia, dificultando ou impedindo a circulação adequada do sangue. O problema pode atingir diferentes regiões do corpo e exige atenção, principalmente quando compromete as veias profundas, devido ao risco de complicações graves, como a embolia pulmonar.
Durante entrevista ao Dia a Dia News, o especialista Leandro Correia explicou as diferenças entre a trombose venosa profunda e a trombose venosa superficial, também conhecida como tromboflebite.
Segundo ele, a trombose venosa profunda ocorre nas veias localizadas em estruturas internas do corpo, como os compartimentos musculares. Já a trombose superficial atinge veias que ficam mais próximas da superfície da pele.
A principal preocupação está relacionada às possíveis consequências da trombose venosa profunda quando não há diagnóstico e tratamento adequados. Entre as complicações está a embolia pulmonar, que acontece quando parte do coágulo se desloca pela circulação e alcança os vasos sanguíneos dos pulmões.
Outra consequência possível é a insuficiência venosa crônica, que pode provocar alterações persistentes na circulação das pernas, manchas na pele, mudanças na textura dos tecidos e, em casos mais avançados, o surgimento de úlceras venosas, feridas que podem ser de difícil cicatrização.
Inchaço e dor nas pernas estão entre os principais sinais de alerta
Um dos aspectos mais importantes para identificar uma possível trombose é observar mudanças repentinas nos membros inferiores. O inchaço de uma perna, acompanhado de dor e aumento do volume da panturrilha ou da coxa, está entre os sinais que exigem avaliação médica.
De acordo com Leandro Correia, a dor pode começar de maneira semelhante a um desconforto muscular. Com a evolução do quadro, porém, o membro pode apresentar aumento de volume, sensação de endurecimento e dificuldade para caminhar.
A diferença de tamanho entre as pernas também merece atenção. Quando uma delas fica significativamente mais inchada do que a outra, principalmente se isso acontece de forma repentina, é importante investigar a causa.
Em algumas situações, podem ocorrer alterações na coloração da pele, que pode adquirir um tom arroxeado devido às dificuldades na circulação sanguínea.
Apesar dessas características, os sintomas não são iguais para todos os pacientes. A trombose pode ocorrer sem manifestações evidentes, inclusive na ausência de inchaço ou dor. Por isso, a falta de sintomas não é suficiente para descartar a doença.
Diante de inchaço repentino em uma perna, dor inexplicada ou mudança importante na coloração da pele, a recomendação é procurar atendimento médico com urgência. Se houver falta de ar súbita, dor no peito, desmaio ou tosse com sangue, é necessário buscar atendimento de emergência imediatamente, pois esses sinais podem indicar embolia pulmonar.
Fatores de risco: genética, lesões e imobilidade
A formação de um coágulo está relacionada a diferentes fatores, que podem atuar de maneira conjunta. Durante a entrevista, o especialista destacou três mecanismos importantes: a predisposição à coagulação, as lesões nos vasos sanguíneos e a redução da circulação provocada pela permanência prolongada em uma mesma posição.
A predisposição genética pode aumentar a tendência do organismo à formação de coágulos. Algumas pessoas apresentam alterações hereditárias que favorecem a coagulação, condição conhecida como trombofilia.
O segundo fator envolve lesões nos vasos sanguíneos e nos tecidos, que podem ocorrer em acidentes, traumas e procedimentos cirúrgicos. Nessas situações, o organismo ativa mecanismos de coagulação como parte do processo de reparação.
O terceiro fator é a estase venosa, que acontece quando o sangue circula mais lentamente ou fica acumulado em determinadas regiões. Isso pode ocorrer quando uma pessoa permanece muito tempo sem movimentar as pernas, especialmente em situações de imobilização.
A combinação desses fatores aumenta o risco de trombose. Entretanto, a doença também pode surgir em pessoas sem histórico familiar conhecido ou sem uma causa única claramente identificada.
Mulheres precisam de atenção em determinadas fases da vida
As alterações hormonais também foram abordadas durante a entrevista. O uso de determinados contraceptivos hormonais e de terapias de reposição hormonal pode aumentar o risco de trombose, dependendo da composição do medicamento, da via de administração e das características individuais da paciente.
O especialista ressaltou a importância da avaliação médica antes do início de tratamentos hormonais, especialmente quando existem antecedentes pessoais ou familiares de trombose e outros fatores de risco.
O cuidado também é importante durante o climatério e a menopausa, fases em que algumas mulheres podem considerar a reposição hormonal para aliviar sintomas. A decisão deve levar em conta os benefícios, os riscos e as condições clínicas de cada paciente.
Isso não significa que todas as mulheres que utilizam hormônios desenvolverão trombose. O risco varia de acordo com o tipo de medicamento e o perfil individual. Por esse motivo, não se deve iniciar, suspender ou substituir um tratamento hormonal sem orientação profissional.
Idosos, pacientes acamados e pessoas submetidas a cirurgias
Outro grupo que merece atenção é formado por idosos, pessoas hospitalizadas, pacientes acamados e indivíduos que precisam permanecer com os movimentos limitados por períodos prolongados.
Cirurgias ortopédicas, especialmente as realizadas no quadril e no joelho, podem elevar o risco de trombose em razão da combinação entre o trauma cirúrgico e a redução da mobilidade durante a recuperação.
Procedimentos de maior duração e outras cirurgias também podem exigir medidas específicas de prevenção, conforme as condições clínicas do paciente.
Leandro Correia destacou que a prevenção deve fazer parte do planejamento cirúrgico. A equipe de saúde precisa avaliar os fatores de risco e definir as medidas adequadas para cada situação.
Dependendo do caso, podem ser recomendados medicamentos anticoagulantes, dispositivos de compressão e mobilização precoce, sempre conforme a avaliação médica.
Pessoas que tiveram fraturas, entorses ou outras lesões e precisam utilizar imobilizadores também devem receber orientações individualizadas. Mesmo quando há limitação dos movimentos, a equipe responsável pode indicar exercícios seguros para estimular a circulação, desde que sejam compatíveis com a lesão.
Viagens longas aumentam a importância de movimentar as pernas
O risco de trombose durante viagens prolongadas foi outro ponto discutido na entrevista. Deslocamentos de avião, ônibus ou carro podem exigir cuidados especiais quando o passageiro permanece sentado por muitas horas, com pouca movimentação dos membros inferiores.
Segundo o especialista, a panturrilha tem um papel importante no retorno do sangue das pernas para o coração. A contração dos músculos durante os movimentos ajuda a impulsionar o sangue pelas veias.
Quando uma pessoa permanece muito tempo imóvel, esse mecanismo fica menos ativo, favorecendo a estase venosa.
Para reduzir o risco durante viagens, algumas medidas podem ajudar:
- Movimentar os pés para cima e para baixo regularmente.
- Contrair e relaxar a musculatura das panturrilhas enquanto estiver sentado.
- Levantar e caminhar periodicamente, quando as condições da viagem permitirem.
- Evitar permanecer por períodos prolongados na mesma posição.
- Manter a hidratação habitual e evitar o consumo excessivo de álcool.
O especialista também alertou para o hábito de tomar medicamentos para dormir durante viagens longas, já que a sedação pode reduzir a movimentação. Qualquer medicamento deve ser utilizado com orientação profissional.
Pessoas com histórico de trombose, cirurgia recente, câncer, gestação ou outros fatores importantes de risco devem procurar orientação médica antes da viagem. Em situações específicas, pode ser necessária uma estratégia adicional de prevenção.
Histórico familiar e acompanhamento médico
A presença de casos de trombose na família é uma informação relevante durante a avaliação médica. Ter parentes próximos que desenvolveram a doença, principalmente em idade jovem ou em circunstâncias incomuns, pode justificar uma investigação mais detalhada.
Leandro Correia orientou que pessoas com suspeita de predisposição procurem avaliação especializada. O hematologista, profissional que atua nas doenças do sangue e nos distúrbios da coagulação, pode investigar a necessidade de exames e orientar medidas preventivas.
Entretanto, nem todas as pessoas com histórico familiar precisam realizar uma bateria de exames para trombofilia. A indicação depende da história clínica, do tipo de evento ocorrido na família e de outros fatores individuais.
A avaliação também deve considerar o uso de medicamentos, a necessidade de cirurgias, períodos de imobilização e a existência de outras condições que possam elevar o risco de formação de coágulos.
Prevenção depende de cuidados cotidianos e avaliação individualizada
Ao encerrar a entrevista, o especialista reforçou que a prevenção passa pela redução dos fatores de risco que podem ser modificados. Manter-se ativo, evitar longos períodos de imobilidade e seguir as recomendações médicas antes e depois de procedimentos cirúrgicos são medidas importantes.
Ele também destacou a necessidade de informar aos profissionais de saúde sobre o histórico familiar e o uso de anticoncepcionais, terapias hormonais ou outros medicamentos antes de iniciar tratamentos e realizar procedimentos.
O uso preventivo de anticoagulantes, por sua vez, não deve ocorrer por conta própria. Esses medicamentos podem ser indicados em situações específicas, mas também apresentam risco de sangramento e exigem avaliação profissional.
A trombose é uma condição que pode provocar complicações graves, mas a identificação dos fatores de risco, a adoção de medidas preventivas e o reconhecimento dos sinais de alerta contribuem para um cuidado mais seguro.
A principal orientação é não ignorar sintomas repentinos, especialmente dor e inchaço em uma das pernas. Buscar atendimento no momento adequado pode fazer diferença no diagnóstico, no tratamento e na prevenção de complicações.