TSE cobra esclarecimentos de plataformas sobre canal “Exército do Lula”

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitou esclarecimentos às empresas Meta, Google e X sobre possíveis ações coordenadas nas redes sociais envolvendo o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones.

A determinação prevê que a Meta, responsável pelo WhatsApp, apresente um relatório técnico com informações sobre o funcionamento do canal, o alcance das publicações, o volume de compartilhamentos e a eventual existência de impulsionamento pago de conteúdos.

A empresa também deverá informar se identificou articulações entre diferentes contas e plataformas para ampliar a divulgação das mensagens.

Google e X também deverão prestar informações

As outras empresas acionadas pela Justiça Eleitoral deverão verificar possíveis movimentos coordenados relacionados à divulgação de pesquisas e hashtags políticas entre os dias 18 e 20 de outubro.

O caso chegou ao TSE após uma representação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A denúncia questiona mensagens que teriam incentivado participantes do canal a pesquisar no Google a frase “Bolsonaro mandou matar Lula” e a divulgar hashtags no X, antigo Twitter.

Em sua defesa, André Janones argumentou que a mensagem foi formulada como uma pergunta, e não como uma afirmação sobre o episódio.

Justiça busca identificar possível atuação coordenada

A solicitação de informações tem como objetivo reunir elementos técnicos para avaliar o comportamento das contas e a forma como os conteúdos foram disseminados nas plataformas digitais.

Entre os pontos que deverão ser esclarecidos estão a existência de padrões de compartilhamento, a atuação conjunta de usuários e os mecanismos utilizados para ampliar a circulação das mensagens.

Uma análise técnica anterior do TSE não identificou, nas publicações examinadas, as afirmações falsas específicas mencionadas na denúncia. Entretanto, foram observados elementos de atuação coordenada e linguagem política polarizadora.

Pedido de informações não significa condenação

A cobrança de esclarecimentos faz parte da apuração conduzida pela Justiça Eleitoral e não representa, por si só, uma conclusão de que houve fraude, manipulação eleitoral ou prática criminosa.

A avaliação dependerá das informações fornecidas pelas empresas e das decisões que venham a ser tomadas pelo tribunal.

O caso ocorre em meio à intensificação da fiscalização sobre o uso das redes sociais em campanhas políticas e à preocupação das autoridades eleitorais com a disseminação de conteúdos e possíveis estratégias coordenadas de influência sobre o debate público.

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