Às vésperas do segundo turno das eleições, a tensão emocional, a ansiedade e a expectativa pelo resultado podem afetar a saúde cardiovascular. Em entrevista ao programa Dia a Dia News, o cardiologista Germano Lefundes alertou para os efeitos do estresse sobre o organismo, explicou como identificar sinais de possíveis problemas cardíacos e destacou a importância de adotar medidas para controlar as emoções e proteger o coração.
Segundo o especialista, situações de estresse provocam a liberação de substâncias como adrenalina e noradrenalina, que aceleram os batimentos cardíacos e podem favorecer o surgimento de alterações no ritmo do coração. Em determinadas circunstâncias, essas reações também podem contribuir para complicações cardiovasculares graves, especialmente em pessoas que apresentam fatores de risco.
Durante a entrevista, Germano Lefundes ressaltou que compreender os efeitos do estresse é fundamental para reconhecer os sinais de alerta e evitar que sintomas potencialmente graves sejam confundidos com manifestações emocionais.
Estresse pode desencadear alterações cardiovasculares
De acordo com o cardiologista, o estresse é um fator que merece atenção porque provoca respostas fisiológicas capazes de interferir diretamente no funcionamento do sistema cardiovascular. A liberação de adrenalina e noradrenalina prepara o organismo para reagir a situações de tensão, mas também pode provocar aceleração dos batimentos cardíacos e contribuir para o desencadeamento de arritmias.
O especialista explicou ainda que o estresse pode favorecer mecanismos envolvidos em eventos cardiovasculares agudos, incluindo o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC).
“O estresse é um fator de risco. Essa situação gera uma liberação de adrenalina, noradrenalina, são substâncias que aceleram e podem contribuir para desencadear arritmias”, explicou.
Germano Lefundes também chamou a atenção para os efeitos do estresse sobre as artérias do coração, destacando que determinadas condições podem favorecer a instabilidade de placas presentes nos vasos sanguíneos, aumentando o risco de complicações.
Para o médico, reconhecer a influência dos fatores emocionais sobre o organismo é uma etapa importante para prevenir problemas e desenvolver estratégias que permitam enfrentar períodos de maior pressão psicológica.
“É importante que as pessoas compreendam o papel do estresse para aprenderem a lidar melhor, evitando que situações complexas como essas que eu mencionei, arritmias, infartos, angina, ocorram”, afirmou.
Ansiedade e problemas cardíacos podem apresentar sintomas semelhantes
Um dos principais alertas apresentados pelo cardiologista diz respeito à dificuldade de diferenciar manifestações de ansiedade de sintomas associados a doenças cardiovasculares.
Segundo ele, a ansiedade pode provocar palpitações, aceleração dos batimentos cardíacos e desconforto respiratório. Entretanto, esses mesmos sinais também podem estar presentes em situações como infarto e arritmias, o que exige atenção, especialmente quando os sintomas surgem pela primeira vez.
O médico ressaltou que não é seguro atribuir automaticamente uma manifestação física ao nervosismo ou à ansiedade sem antes avaliar a possibilidade de uma doença cardíaca.
“Como os sintomas são comuns nas duas situações, doença cardiovascular e ansiedade, eu preciso afastar a possibilidade de doença cardíaca para atribuir, quando afastado dessas causas, a um quadro emocional como ansiedade”, orientou.
De acordo com Germano Lefundes, a avaliação médica permite investigar a origem dos sintomas e identificar situações que necessitam de tratamento específico. A demora em procurar atendimento, quando existe um problema cardiovascular, pode aumentar os riscos e comprometer a evolução do quadro.
“Se eu me precipito e atribuo os sintomas a um quadro emocional, eu perco a oportunidade de identificar e tratar uma doença, que pode impor risco”, alertou.
Dor no peito, falta de ar e suor frio exigem atenção
Durante a entrevista, o cardiologista explicou que a intensidade dos sintomas é um dos aspectos importantes para determinar a necessidade de atendimento imediato.
Quando a pessoa apresenta desconforto intenso, palpitações acompanhadas de outros sintomas, falta de ar significativa, tontura, palidez ou suor frio, a orientação é procurar um serviço de emergência.
Mesmo quando o episódio é breve e desaparece espontaneamente, o especialista recomenda avaliação médica, principalmente se for uma manifestação nova ou sem causa conhecida.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Dor, aperto ou desconforto no peito;
- Falta de ar;
- Palpitações ou aceleração dos batimentos cardíacos;
- Tontura;
- Palidez e suor frio;
- Inchaço nas pernas.
O médico reforçou que a presença desses sintomas não significa necessariamente que exista uma doença cardiovascular, mas que a investigação é importante para esclarecer o diagnóstico.
Em casos de dor ou pressão no peito, falta de ar intensa, suor frio ou outros sinais de possível emergência cardíaca, a recomendação é procurar atendimento imediatamente, sem esperar que os sintomas desapareçam.
Pessoas com hipertensão, diabetes e colesterol alto precisam redobrar os cuidados
Outro ponto destacado pelo cardiologista foi a atenção às pessoas que já apresentam fatores de risco para doenças cardiovasculares.
Pacientes com hipertensão arterial, diabetes e colesterol elevado precisam manter o acompanhamento médico regular, realizar os exames indicados e utilizar corretamente os medicamentos prescritos.
Segundo Germano Lefundes, as consultas periódicas permitem identificar alterações que nem sempre provocam sintomas, mas que podem aumentar o risco de complicações ao longo do tempo.
“É importante que pessoas que são portadoras de hipertensão, diabetes, colesterol alto, façam suas avaliações regulares no médico”, destacou.
O especialista lembrou, porém, que problemas cardiovasculares também podem surgir em pessoas sem diagnóstico prévio. Algumas arritmias, por exemplo, podem se manifestar inesperadamente, inclusive em pacientes jovens.
Por isso, a atenção aos sinais do próprio corpo deve ser mantida independentemente da idade ou da existência de uma doença conhecida.
Atividade física, meditação e oração ajudam no controle do estresse
Para reduzir os impactos da tensão emocional, Germano Lefundes destacou a importância da chamada gestão do estresse, que envolve reconhecer situações desencadeadoras de ansiedade e desenvolver estratégias para lidar com elas de maneira mais saudável.
Entre as medidas citadas pelo cardiologista estão a prática regular de atividade física, a meditação, a oração e a busca por atividades prazerosas que ajudem a aliviar a tensão.
Segundo ele, essas estratégias podem contribuir para melhorar a resposta do organismo aos fatores estressores e reduzir as repercussões físicas das emoções intensas.
“A própria atividade física é um estímulo que pode melhorar a relação do paciente com os fatores estressores”, explicou.
O médico também recomendou que as pessoas identifiquem atividades capazes de proporcionar momentos de desconexão dos problemas cotidianos, como cultivar um hobby, ouvir música, dançar ou se divertir.
A proposta é evitar que a pessoa permaneça continuamente exposta a situações que aumentem a ansiedade e o nervosismo, permitindo que o organismo tenha momentos de recuperação.
O cardiologista ressaltou que essas medidas podem beneficiar tanto quem já possui uma doença cardiovascular quanto quem não apresenta diagnóstico, como parte dos cuidados com a saúde física e emocional.
Afastar-se de situações de tensão pode ajudar durante o período eleitoral
Ao abordar especificamente o cenário das eleições, Germano Lefundes observou que o envolvimento excessivo com a disputa política e a expectativa pelos resultados podem aumentar a tensão emocional.
Nesse contexto, acompanhar continuamente as notícias, permanecer diante da televisão por longos períodos ou se envolver em discussões acaloradas pode intensificar o nervosismo de algumas pessoas.
O especialista recomendou reconhecer os próprios limites e, quando necessário, afastar-se temporariamente desses estímulos.
“Se eu estou, por exemplo, acompanhando ali o desenrolar da eleição, ou um momento que até já tem a divulgação dos resultados, eu posso simplesmente me afastar daquele ambiente, sair de perto da TV, procurar uma atividade mais tranquila para que eu relaxe, e isso vai contribuir para me proteger”, orientou.
A recomendação não significa deixar de acompanhar o processo eleitoral, mas estabelecer limites para evitar que a exposição contínua a situações de tensão prejudique o bem-estar.
O médico destacou ainda que a gestão do estresse pode ser aplicada em diferentes profissões e situações, inclusive por pessoas que precisam permanecer concentradas durante períodos de grande pressão, como os profissionais de comunicação.
Técnicas de respiração podem aliviar a tensão
Entre as estratégias que podem ser utilizadas em diferentes ambientes, o cardiologista citou uma técnica de respiração controlada, baseada em inspirar profundamente, fazer uma breve pausa, expirar de maneira prolongada e pausar novamente antes de repetir o ciclo.
Ele comparou o exercício ao desenho de um quadrado, no qual cada etapa representa uma fase da respiração.
“Tem uma técnica de respiração que pode ser muito útil quando você está sob uma situação de estresse, que é fazer inspirações profundas seguidas de pausas, depois expirações profundas e uma outra pausa”, explicou.
A técnica pode ajudar a pessoa a interromper momentaneamente a reação de tensão e concentrar a atenção na respiração.
O especialista também reforçou que ouvir música, dançar e realizar atividades associadas ao bem-estar são alternativas para aliviar a pressão emocional.
Essas medidas, no entanto, não substituem a avaliação médica quando existem sintomas que possam indicar uma doença cardiovascular.
Automedicação com calmantes exige cautela
Questionado sobre o uso de calmantes para controlar o nervosismo, Germano Lefundes alertou para os riscos de utilizar medicamentos por conta própria.
O cardiologista explicou que algumas opções, como determinados chás e produtos fitoterápicos, podem ser consideradas em situações específicas, mas ressaltou a importância da orientação profissional para avaliar a necessidade e a segurança de cada alternativa.
“Existem alguns chás seguros, né? Camomila, por exemplo, podem ser utilizados. Existem alguns medicamentos fitoterápicos que também podem ser utilizados, mas o ideal é passar por uma avaliação médica para que você tenha ideia do que está acontecendo”, afirmou.
O médico alertou para a prática de utilizar medicamentos recomendados por amigos, vizinhos ou familiares, sem conhecer a causa dos sintomas.
Além dos riscos relacionados ao uso inadequado de substâncias, essa conduta pode atrasar o diagnóstico de uma doença cardíaca, já que algumas manifestações de ansiedade são semelhantes às de problemas cardiovasculares.
O especialista destacou que o controle temporário do nervosismo não deve substituir a investigação das causas quando os sintomas são recorrentes ou intensos.
Acompanhamento cardiológico deve começar desde a infância
Durante a entrevista, Germano Lefundes também explicou a importância das avaliações cardiológicas preventivas ao longo da vida.
Segundo ele, crianças e adolescentes devem passar por avaliações cardiovasculares, mesmo quando não apresentam sintomas, para investigar possíveis alterações congênitas ou outros problemas que possam permanecer sem diagnóstico durante anos.
O intervalo entre as consultas deve ser definido de acordo com a idade, o histórico familiar, as condições clínicas e a avaliação do profissional responsável.
Para adultos a partir dos 40 anos, o cardiologista recomendou pelo menos uma avaliação anual, destacando a importância de identificar precocemente fatores como pressão arterial elevada, colesterol alto e diabetes.
“A partir dos 40 anos, todo paciente deve fazer pelo menos uma avaliação anual”, orientou.
O médico ressaltou ainda que pessoas com histórico familiar de doenças cardíacas ou outros fatores de risco podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo e realizar avaliações com maior frequência.
A prevenção, segundo ele, permite identificar alterações antes que provoquem complicações mais graves.
Sintomas não devem esperar pela próxima consulta
O cardiologista fez uma ressalva importante sobre a periodicidade do acompanhamento: mesmo quem realizou exames recentemente deve procurar atendimento se apresentar novos sintomas.
Dor no peito, falta de ar, palpitações, tontura e inchaço nas pernas são manifestações que precisam ser investigadas, especialmente quando aparecem de maneira inesperada ou persistente.
A orientação é não esperar a próxima consulta de rotina para buscar ajuda diante de sinais de alerta.
O especialista reforçou que a prevenção envolve tanto o acompanhamento regular quanto a capacidade de reconhecer mudanças no funcionamento do organismo.
Controle emocional e prevenção são fundamentais em qualquer época do ano
Ao encerrar a entrevista ao Dia a Dia News, Germano Lefundes reforçou que os cuidados com o coração não devem se limitar a períodos eleitorais ou a momentos de grande repercussão emocional.
O cardiologista destacou duas medidas centrais: manter as avaliações médicas em dia e aprender estratégias para administrar o estresse.
“Fazer avaliações periódicas e aprender maneiras de controlar o seu emocional, seja com manobras de respiração, seja com meditação ou com atividade física”, resumiu.
Para o especialista, conhecer os próprios limites, reconhecer os fatores que provocam tensão e buscar formas saudáveis de lidar com as emoções são atitudes importantes para proteger a saúde cardiovascular.
Em um período marcado pela expectativa em torno do segundo turno das eleições, a orientação é acompanhar os acontecimentos com equilíbrio, evitar conflitos desnecessários, respeitar os limites do próprio corpo e não ignorar sintomas que possam indicar problemas de saúde.
Como ressaltou o cardiologista, cuidar do coração exige atenção contínua, prevenção e acompanhamento profissional, independentemente do resultado das eleições ou do momento vivido.