Apenas 1,47% dos municípios atingem meta de vacinação contra a gripe

Apenas 82 dos 5.119 municípios das regiões Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste alcançaram a meta de vacinar pelo menos 90% do público prioritário contra a gripe em 2026. O número representa 1,47% das cidades avaliadas e revela a baixa adesão à campanha de imunização contra o vírus influenza no país.

Os dados foram extraídos do painel de vacinação do Ministério da Saúde na quinta-feira (29). Além dos municípios que atingiram a meta, outros 139 (2,5%) registraram cobertura superior a 80%. Na maior parte das cidades, porém, os índices permanecem abaixo do recomendado.

Ao todo, 2.935 municípios, o equivalente a 52,68% do total analisado, apresentam cobertura vacinal entre 41% e 60%. Outras 1.571 cidades, ou 28,2%, conseguiram imunizar entre 61% e 80% do público-alvo. Nas quatro regiões, a cobertura média é de 52,45%.

O levantamento considera como público prioritário pessoas com 60 anos ou mais, crianças a partir de seis meses e menores de seis anos, além de gestantes. A Região Norte não entrou no balanço porque, desde 2023, a campanha de vacinação contra a gripe é realizada no segundo semestre, em razão do inverno amazônico. A previsão é que a mobilização comece em novembro.

A baixa cobertura preocupa especialistas, especialmente diante das mudanças climáticas e da circulação de vírus respiratórios fora do período habitual. A infectologista Rosana Richtmann, integrante do comitê de imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que as oscilações de temperatura e a permanência das pessoas em ambientes fechados favorecem a transmissão da influenza.

Segundo a médica, outro fator de atenção é a duração da proteção oferecida pela vacina, estimada em aproximadamente seis meses. Dessa forma, pessoas que receberam a dose no início do ano podem apresentar redução da proteção ao longo dos meses.

A situação dos idosos também chama a atenção. De acordo com a especialista, a adesão desse grupo às campanhas diminuiu nos últimos anos, apesar de a população acima de 70 anos historicamente apresentar participação regular na vacinação. Em contrapartida, houve melhora nos índices entre gestantes e crianças.

A preocupação está relacionada ao risco de complicações provocadas pela gripe, que podem incluir pneumonia bacteriana, necessidade de internação e problemas cardiovasculares. A infectologista ressalta que a influenza também pode estar associada a eventos graves, como o infarto agudo do miocárdio.

Até 19 de outubro, o Brasil havia registrado 17.679 casos de influenza e 1.343 mortes pela doença em 2026. No mesmo período de 2025, foram contabilizadas 25.438 infecções e 3.176 óbitos.

A orientação da especialista é que as pessoas que ainda não receberam a vacina procurem os serviços de saúde para se imunizar, principalmente aquelas que fazem parte dos grupos prioritários. A recomendação também vale para quem pretende viajar para países do Hemisfério Norte, onde a circulação do vírus costuma ser intensa nesta época do ano.

Dados: Ministério da Saúde e informações da reportagem publicada em 30 de outubro de 2026. Folha de S.Paulo+1

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