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Exposição de Levy Costa resgata memórias da infância e aborda identidade e liberdade em Feira de Santana

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As memórias de uma infância marcada pela imaginação, pelo desejo de liberdade e as descobertas da própria identidade são o ponto de partida da exposição “Como Alcançar um Pássaro em Voo?”, do artista visual Levy Costa. A mostra será aberta nesta quinta-feira, 5 de novembro, às 19h, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Feira de Santana, integrando a programação de reinauguração do equipamento após a reforma. A entrada é gratuita.

Composta por 14 fotografias e um videoarte, a exposição propõe uma ponte entre o artista de hoje e a criança que ele foi. O trabalho revisita experiências pessoais e transforma lembranças de repressão à sexualidade, bullying e descoberta da própria identidade em imagens que também abrem espaço para a fantasia, o acolhimento e o reconhecimento de vivências compartilhadas.

Artista visual, formado pela UFRB, fotógrafo e ilustrador, Levy Costa apresenta sua terceira exposição individual, após nove anos sem realizar uma mostra solo. O projeto que culmina na exposição “Como Alcançar um Pássaro em Voo?” foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB) e conta com apoio financeiro da Prefeitura de Feira de Santana, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer, via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.

Um reencontro com a infância

A ideia da exposição começou a ganhar forma após a mudança de Levy para Salvador, depois de viver em Feira de Santana. Ao abrir caixas com livros e materiais guardados na casa da mãe, encontrou um diário da gravidez dela e cadernos dos primeiros anos de escola. Mais tarde, o resgate de vídeos antigos em VHS ampliou esse reencontro com a infância.

“Em 2020, quando estava de mudança, encontrei o diário de gravidez da minha mãe e meus cadernos de infância. Fiquei muito emocionado, porque ao ler tudo que estava escrito percebi a inquietação, a minha espontaneidade e a vontade de fantasiar e criar outro universo já estavam ali, desde pequeno. Depois, resgatei vídeos antigos, e isso me fez tentar criar uma ponte entre quem sou hoje e quem eu era antes. Senti muito orgulho: pareceu que eu era a pessoa que aquela criança sonhava em ser. Hoje, tenho a liberdade que aquele menino sonhava que eu tivesse”, conta Levy Costa.

Nos registros, o artista identificou a criatividade, a inquietação e a vontade de inventar outros universos que já faziam parte de sua maneira de estar no mundo. Entre desenhos e anotações sobre pássaros, encontrou a pergunta que daria nome à mostra: “Como alcançar um pássaro em voo?”. Escrita em uma página do caderno, a frase permaneceu sem ser riscada, entre outras tentativas de expressar o desejo de voar.

Nas fotografias, crianças interpretam o artista em cenas que recuperam brincadeiras e gestos associados à descoberta da identidade. Uma toalha sobre a cabeça se transforma em cabelo comprido, pregadores de roupa nos dedos viram unhas longas. São imagens que partem de lembranças particulares, mas encontram correspondência nas experiências de outras pessoas LGBTQIAPN+.

A imaginação como possibilidade de liberdade

Uma das memórias retratadas na divulgação da exposição remonta a um trajeto de bicicleta com o pai. Ainda criança, Levy amarrou um longo tecido verde ao pescoço para ir à escola. Na garupa, com o pano ao vento, experimentou uma sensação de liberdade que o medo da reação dos colegas interromperia na chegada, quando guardou o tecido na mochila.

A lembrança sintetiza uma das questões que atravessam a mostra: o contraste entre a espontaneidade da criança e as expectativas impostas pela família, pela escola e pela sociedade. Ao reconstruir essas experiências, o artista busca compartilhar símbolos de identificação e contribuir para que outras crianças LGBT se reconheçam e se sintam menos sozinhas.

A elaboração das imagens envolveu um processo artesanal, com criação de roupas, pintura, ilustração e construção dos elementos de cena. Levy optou por resolver os detalhes durante a produção fotográfica, sem recorrer à inteligência artificial para os ajustes, buscando traduzir os sentimentos de cada memória na composição das cenas.

A abertura de “Como Alcançar um Pássaro em Voo?” integra a retomada das atividades do MAC de Feira de Santana, em uma programação que reúne diferentes exposições e marca a reinauguração do museu no Dia Nacional da Cultura.

SERVIÇO
Exposição: Exposição “Como Alcançar um Pássaro em Voo?”
Artista: Levy Costa
Abertura: 5 de novembro de 2026, quinta-feira, às 19h
Local: Museu de Arte Contemporânea (MAC) – Rua Professor Geminiano Costa, 255 – Centro, Feira de Santana
Entrada: gratuita

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