Dezenas de servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tiveram os salários de outubro integralmente descontados após participarem de uma greve realizada entre agosto e setembro deste ano. A medida, aplicada em parcela única, deixou alguns funcionários sem remuneração no início de novembro e provocou novas críticas à gestão do instituto.
Segundo a Associação dos Servidores do IBGE (Assibge), os descontos foram realizados sem um acordo prévio com os trabalhadores. A Bahia foi o estado mais afetado, devido à maior adesão dos servidores à paralisação.
O movimento grevista foi motivado por insatisfações com decisões administrativas da direção do órgão, além de reivindicações relacionadas às condições de trabalho, progressão na carreira e mudanças nas regras de pagamento das indenizações destinadas aos profissionais que realizam pesquisas em campo.
O sindicato afirma que já havia encaminhado à presidência do IBGE uma proposta de Termo de Acordo para discutir os descontos e buscar uma solução negociada. A entidade também solicitou a participação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) nas tratativas, mas reclama da demora para avançar nas negociações.
Em manifestação divulgada na quinta-feira (5), a Assibge classificou a decisão como uma medida unilateral e afirmou que o desconto integral agrava o conflito entre os trabalhadores e a administração do instituto.
Posicionamento do IBGE
Em nota divulgada nesta sexta-feira (6), o IBGE afirmou que os descontos foram realizados de acordo com as normas da administração pública federal e as orientações do Ministério da Gestão e da Inovação.
Segundo o instituto, a paralisação envolveu 143 servidores, com períodos de afastamento que variaram de um a 25 dias. A direção também informou que o movimento atingiu aproximadamente 1% do total de funcionários.
O órgão declarou que não se recusou ao diálogo e que já havia comunicado ao sindicato que as negociações seriam retomadas após o período de defeso eleitoral, encerrado em 25 de outubro.
A direção acrescentou que eventuais questionamentos sobre os cálculos dos descontos poderão ser apresentados administrativamente. Caso sejam identificadas inconsistências, os lançamentos poderão ser revistos. A possibilidade de parcelamento também poderá ser analisada, desde que respeitadas as normas vigentes.
Enquanto isso, a Assibge mantém a cobrança por uma reunião entre representantes do sindicato, do Ministério da Gestão e da direção do IBGE. A entidade afirma que continuará contestando os descontos e buscando uma solução para o impasse.