A recente escalada de tensões no Oriente Médio, com o conflito no Irã, tem gerado preocupações sobre o impacto nos preços dos combustíveis e o potencial de atrasar a queda da taxa de juros no país. Especialistas, no entanto, não preveem risco imediato de desabastecimento. O economista Bruno Mota fala sobre o assunto em entrevista ao Dia a Dia News.
“Os preços estão em alta. Na sexta-feira, o preço do barril estava em torno de 70 dólares. Hoje, está em 83,30 dólares. Essa volatilidade é característica do mercado de commodities, impulsionada pelas grandes potências globais. No Brasil, essa oscilação pode se traduzir em aumento de preços nas bombas em um período de 3 a 15 dias, dependendo dos estoques disponíveis.”
Em relação à intensidade do conflito, à possibilidade de fechamento do Estreito de Hormuz e ao aumento do preço do barril, que afeta o consumidor, ele disse:
“O impacto varia conforme a dependência de cada país em relação à importação de petróleo. O Brasil, por ter produção interna, mas não contar com refino suficiente, precisa garantir seus estoques. A exemplo dos Estados Unidos, que armazenam o petróleo produzido internamente, o Brasil também precisa assegurar sua autonomia para evitar a pressão dos preços internacionais. Além disso, a presença de grandes reservas mundiais na região e a postura do Irã, que se mantém firme em suas posições, sugerem que o conflito pode perdurar.”
Sobre a relação com a taxa de juros, explicou:
“O petróleo e os combustíveis influenciam fortemente as cadeias produtivas. O aumento dos custos de transporte, por exemplo, impacta o preço final dos produtos. Isso pode levar a uma elevação da inflação, especialmente considerando que 70% do nosso abastecimento é feito por meio do transporte rodoviário.”
O economista também comentou sobre os carros elétricos:
“Acredito que um conflito como este pode impulsionar o interesse por veículos elétricos. A China, por exemplo, adotou essa tecnologia para reduzir sua dependência de petróleo importado, demonstrando uma estratégia inteligente. O conflito atual reforça a necessidade de repensar as opções disponíveis.”
Bruno finaliza:
“O impacto inflacionário dependerá da duração e da intensidade do conflito. Se for breve, o efeito será limitado. No entanto, é importante monitorar a situação de perto.”
Escrita pela estagiária:Fernanda Martins, com informações:Miro Nascimento. Foto:Divulgação
