A Bahia tem se consolidado como um dos estados mais promissores do país quando o assunto é mercado de terras rurais. O recente levantamento que posiciona o estado na terceira colocação nacional em procura por propriedades no campo reforça um movimento que, segundo especialistas do setor, vem sendo construído há anos a partir da expansão produtiva, da modernização tecnológica e da capacidade de adaptação das diferentes regiões baianas às mais diversas culturas agropecuárias.
O tema foi analisado pelo presidente da Unagro, Luiz Bahia Neto, durante entrevista ao programa Dia a Dia News. Ao longo da conversa, ele detalhou os fatores que explicam o avanço da Bahia no cenário nacional, falou sobre o fortalecimento da agricultura e da pecuária, abordou a valorização das terras, o crescimento do turismo rural, a integração produtiva e fez um alerta sobre a necessidade de investimentos em segurança pública no campo.

Segundo ele, a posição de destaque da Bahia não é resultado de um fenômeno momentâneo, mas consequência direta de características naturais e estruturais que tornam o estado singular no cenário brasileiro.
“A Bahia reúne uma condição muito especial. É um estado de dimensões amplas e extremamente diverso. Quando falamos em potencial agropecuário, estamos falando de uma pluralidade de clima, topografia, solo e dinâmica produtiva que poucos estados possuem. Essa diversidade permite que praticamente todas as culturas encontrem aqui um ambiente favorável para desenvolvimento.”
A diversidade territorial como principal ativo estratégico
Ao analisar os motivos que fazem a Bahia despertar interesse crescente entre investidores e produtores rurais, Luiz Bahia Neto destacou que o maior diferencial está justamente na variedade geográfica do território.
De acordo com ele, o estado apresenta uma transição natural entre diferentes biomas e características climáticas, permitindo modelos produtivos específicos para cada região.
“Você pode sair de Feira de Santana e, em poucas horas, encontrar realidades completamente distintas. Nas proximidades do Recôncavo Baiano, você tem determinado tipo de solo, umidade e clima. Quando avança para o semiárido, já encontra outra configuração, marcada pela caatinga, por uma lógica hídrica diferente e por outras estratégias de produção. Seguindo em direção ao oeste, entra-se em uma nova realidade, com cerrado, topografia plana e características ideais para agricultura extensiva.”
Essa pluralidade, segundo ele, oferece ao produtor rural uma ampla gama de possibilidades.
“Temos regiões vocacionadas para pecuária tradicional, outras para agricultura intensiva, áreas de fruticultura, espaços de integração lavoura-pecuária e regiões que conseguem combinar produtividade com diversificação econômica.”
Para Luiz Bahia Neto, essa capacidade de adaptação regional fortalece o posicionamento da Bahia como destino estratégico para investimentos.
“O investidor encontra aqui diferentes oportunidades dentro de um mesmo estado. Isso é extremamente raro.”
O protagonismo do oeste baiano
Grande parte da valorização das terras rurais baianas está concentrada no oeste do estado, região que se tornou símbolo da modernização do agronegócio nacional.
Durante a entrevista, o presidente da Unagro afirmou que o oeste baiano reúne atualmente alguns dos sistemas produtivos mais avançados do país.
“O nível tecnológico que encontramos hoje no oeste da Bahia é comparável ao que existe nos maiores polos agrícolas do mundo. Existe mecanização avançada, agricultura de precisão, monitoramento digital, planejamento técnico sofisticado e uma cultura produtiva altamente profissionalizada.”
Ele destacou que a chegada de tecnologia internacional impulsionou fortemente o desenvolvimento regional.
“Muitas máquinas utilizadas hoje no oeste vêm de centros globais de inovação agrícola. Isso elevou muito o padrão produtivo da região.”
Esse avanço, segundo ele, impactou diretamente o mercado fundiário.
“Hoje, em determinadas áreas, especialmente em municípios como São Desidério, praticamente não existe disponibilidade de terras à venda. Quem possui área produtiva compreende o valor estratégico daquele patrimônio.”
O fenômeno do arrendamento e a valorização da terra
Um dos pontos mais enfatizados por Luiz Bahia Neto foi a mudança de comportamento entre proprietários rurais.
Segundo ele, o arrendamento vem substituindo a comercialização direta de terras em regiões altamente valorizadas.
“Chegamos a um momento em que, para muitos proprietários, arrendar se tornou mais vantajoso do que vender. O rendimento gerado pelos contratos produtivos é extremamente atrativo.”
Ele explica que essa dinâmica ocorre porque a terra deixou de ser vista apenas como patrimônio físico e passou a ser compreendida como ativo de geração contínua de receita.
“O produtor ou investidor sabe que aquela área continuará se valorizando ao mesmo tempo em que gera retorno financeiro. Isso muda completamente a lógica do mercado.”
Para o presidente da Unagro, esse movimento demonstra maturidade econômica do setor.
“É um indicativo claro de consolidação.”
Integração produtiva: agricultura e pecuária caminhando juntas
Ao contrário da visão tradicional que separa agricultura e criação animal, Luiz Bahia Neto afirmou que a tendência atual é de integração entre cadeias produtivas.
Segundo ele, a Bahia tem se destacado justamente pela adoção de modelos mistos.
“Hoje o produtor trabalha com inteligência produtiva. Os resíduos agrícolas se transformam em suporte alimentar para o gado. A estrutura de uma atividade fortalece a outra.”
Ele cita como exemplo o reaproveitamento de subprodutos oriundos da produção extensiva.
“A folhagem residual, determinados insumos e excedentes passam a compor estratégias de alimentação animal, especialmente em confinamento.”
Essa integração, segundo ele, eleva eficiência econômica e sustentabilidade.
“Você reduz perdas, amplia produtividade e torna o sistema mais competitivo.”
Santa Rita de Cássia e a força da pecuária no oeste
Um dado destacado pelo presidente da Unagro durante a entrevista chamou atenção: o município de Santa Rita de Cássia desponta hoje como referência em número de bovinos no oeste baiano.
Segundo ele, o dado demonstra que o fortalecimento agrícola não elimina a importância pecuária.
“Muita gente associa o oeste exclusivamente às grandes lavouras, mas a pecuária segue extremamente forte. Santa Rita de Cássia é prova disso.”
Para Luiz Bahia Neto, o caso reforça o potencial multifuncional da região.
“O produtor baiano tem mostrado capacidade de diversificação e adaptação.”
Turismo rural e o campo como espaço de experiência
Outro eixo abordado na entrevista foi o crescimento da procura por imóveis rurais associados ao lazer e ao turismo.
Segundo o dirigente, embora a maior parte da demanda ainda esteja ligada à produção agropecuária, o interesse por propriedades voltadas à experiência rural cresce de forma consistente.
“Existe uma nova percepção sobre o campo. As pessoas buscam contato com a natureza, tranquilidade e vivências ligadas à produção rural.”
Ele defendeu que a Bahia tem enorme potencial nesse segmento.
“Assim como Feira de Santana atrai visitantes pela força comercial, regiões agrícolas podem atrair pela experiência, pela inovação e pela possibilidade de aproximação com a realidade produtiva.”
Para ele, o turismo rural pode se consolidar como importante vetor econômico complementar.
Segurança rural: desafio estrutural
Apesar do cenário positivo, Luiz Bahia Neto alertou para gargalos que ainda precisam ser enfrentados.
A segurança pública no campo, segundo ele, permanece como uma preocupação central do setor.
“Essa é uma pauta permanente da Unagro. O produtor precisa se sentir seguro para investir.”
Ele fez questão de reconhecer o trabalho das forças policiais, mas pontuou limitações estruturais.
“Não se trata de uma falha das polícias. Polícia Civil e Militar atuam com esforço e compromisso. O problema está na necessidade de maior estrutura, efetivo, tecnologia e presença estratégica no interior.”
Para ele, o crescimento do agronegócio exige resposta proporcional do poder público.
“Quando um setor sustenta parcela tão significativa da economia, ele precisa ser protegido.”
O peso econômico do agro baiano
Ao encerrar a entrevista, o presidente da Unagro reforçou a dimensão econômica do agronegócio.
Segundo ele, o campo é responsável por sustentar parte essencial da atividade econômica estadual.
“Estamos falando de um segmento que movimenta empregos, renda, arrecadação, exportações e desenvolvimento regional.”
Ele destacou que a relevância vai além da Bahia.
“O agronegócio responde por uma fatia muito expressiva do PIB nacional. O Brasil está diretamente conectado à força produtiva do campo.”
Para Luiz Bahia Neto, investir no fortalecimento da estrutura rural significa investir no futuro econômico.
“Quando o produtor encontra ambiente favorável, ele produz mais, gera mais riqueza e impulsiona desenvolvimento para toda a sociedade.”
A crescente procura por terras rurais, portanto, reflete não apenas valorização imobiliária, mas o reconhecimento de que a Bahia ocupa hoje posição estratégica dentro do agronegócio brasileiro, reunindo potencial produtivo, diversidade territorial, inovação tecnológica e capacidade de expansão.
