A presidenta do Sindicato dos Condutores por Aplicativo da Bahia (SINCAP-BA), Catia Sinete, afirmou que o serviço por aplicativo se tornou essencial para o funcionamento das cidades e defendeu mudanças urgentes na relação entre trabalhadores e plataformas digitais. Segundo ela, atualmente não há mobilidade urbana, entregas nem dinamização do comércio sem o transporte de passageiros e mercadorias realizado por motoristas e entregadores vinculados aos aplicativos.
De acordo com a dirigente sindical, o principal embate da categoria é com as plataformas, que, na avaliação do sindicato, não promovem atualização tarifária compatível com os custos da atividade. Catia Sinete classificou a situação como uma forma de “escravismo moderno”, destacando que muitos profissionais precisam rodar até 12 horas por dia para alcançar uma renda mínima, muitas vezes sem condições adequadas de trabalho e enfrentando altos custos com combustível, manutenção e desgaste físico.
A presidenta explicou que, embora não exista uma meta formal imposta pelas plataformas, os próprios motoristas acabam estabelecendo valores diários a serem alcançados, especialmente aqueles que dependem exclusivamente do aplicativo como única fonte de renda. Esse cenário resulta em jornadas extensas, já que o limite de 12 horas se refere ao tempo em que o profissional permanece conectado e em circulação, e não ao tempo efetivo de corridas, o que frequentemente leva à extrapolação desse período.
Sobre a relação com o poder público municipal, Catia Sinete destacou que o sindicato mantém diálogo constante com a Superintendência Municipal de Trânsito, buscando soluções para questões como pontos de parada, locais adequados para embarque e desembarque e melhor organização do fluxo urbano. Ela ressaltou que, por se tratar de um serviço relativamente novo e ainda em processo de regulamentação, muitas demandas surgem de forma dinâmica e precisam ser tratadas conforme a realidade cotidiana.
Com a chegada do fim de ano, a expectativa da categoria é de aumento na demanda, impulsionada pelas datas comemorativas e pelo aquecimento do comércio. No entanto, a presidenta ponderou que o crescimento no número de motoristas cadastrados nas plataformas tem limitado o volume de corridas por profissional, reduzindo o impacto positivo desse período sobre a renda dos trabalhadores.
Em relação às críticas sobre infrações de trânsito, especialmente envolvendo entregadores, Catia Sinete afirmou que o sindicato aposta na educação como principal ferramenta para reduzir acidentes e irregularidades. Segundo ela, ações educativas e de conscientização são fundamentais, já que multas e sinistros prejudicam diretamente o próprio trabalhador. A participação do sindicato em fóruns e debates, afirmou, busca contribuir para um trânsito mais seguro, conciliando mobilidade urbana, trabalho digno e preservação da vida.