Comitiva com mais de 120 gestores baianos discute redução da alíquota do INSS, reforma tributária e articula união do Nordeste para conter altos preços cobrados por artistas.
Uma comitiva formada por cerca de 120 prefeitos da Bahia está em Brasília para uma série de reuniões consideradas decisivas para o futuro financeiro dos municípios. A agenda inclui a defesa da redução da alíquota do INSS, a eleição do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a articulação de uma frente regional contra os valores elevados cobrados por bandas e artistas nos festejos juninos.

O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Wilson Paes Cardoso, afirmou que a redução da alíquota previdenciária é fundamental para evitar o crescimento da dívida municipal. Segundo ele, mesmo após a aprovação da PEC 66, transformada na Emenda Constitucional 136, o aumento progressivo da contribuição pode criar uma “bola de neve” nas contas públicas, comprometendo a capacidade de investimento das prefeituras.
A pauta dos cachês artísticos também ganhou destaque e vem mobilizando gestores de toda a região Nordeste. Prefeitos denunciam reajustes que chegam a ultrapassar 90% de um ano para o outro, tornando inviável a realização das tradicionais festas de São João. A UPB articula reuniões com representantes do Ministério Público, dos Tribunais de Contas e de entidades municipalistas para buscar orientações e uma saída institucional para o problema.

O prefeito de Capim Grosso, Sivaldo Rios, que também preside a Federação dos Consórcios Públicos do Estado da Bahia, reforçou a importância da mobilização. “Essa pauta é de extrema relevância para os municípios da Bahia e beneficia toda a população. Quando você zela pelo dinheiro público, quem ganha é a sociedade como um todo”, afirmou. Sobre os altos cachês, ele foi enfático: “É o momento de unidade dos prefeitos. Não dá mais para suportar esses valores abusivos cobrados por grandes artistas”.
Sivaldo Rios também demonstrou preocupação com a perda de receitas municipais e defendeu a união dos gestores como forma de fortalecer o municipalismo. “A Bahia tem sido referência em Brasília na defesa dos municípios. Precisamos continuar unidos, especialmente porque muitos municípios sobrevivem basicamente de transferências como o FPM. Se não houver cuidado, há cidades que não conseguirão sequer pagar a folha de pessoal”, alertou.
Para os prefeitos, a mobilização busca garantir equilíbrio fiscal sem comprometer serviços essenciais como saúde, educação e infraestrutura, além de preservar os festejos juninos, considerados fundamentais para a cultura, a economia local e a integração social. A expectativa é que as articulações em Brasília resultem em encaminhamentos concretos já nas próximas semanas.
