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Agricultores rurais de Feira de Santana vivem apreensão com estiagem e cobram ações sobre Garantia-Safra e solo, diz sindicalista

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A falta de chuvas regulares, a escassez de água e a dificuldade para manter a pastagem dos animais têm preocupado agricultores e agricultoras da zona rural de Feira de Santana. O alerta foi feito por Adriana Lima, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, que relatou um cenário de apreensão no campo, mesmo em um período em que tradicionalmente se esperava maior volume de chuvas.

Segundo Adriana, comunidades inteiras enfrentam dificuldades, especialmente em distritos onde a chuva não chegou de forma suficiente para garantir a lavoura. “Nós, enquanto rurais, estamos vivendo um período de muita preocupação. A ausência de água e de pastagem tem afetado diretamente o nosso cotidiano e a produção”, afirmou.

Ela destacou que, embora 2025 tenha sido considerado um ano chuvoso em algumas localidades, distritos como Jaguara, em especial a comunidade de Sete Portas, sofreram com a irregularidade das precipitações. “Não houve chuva suficiente para garantir a lavoura. Essas dificuldades não atingem apenas um ponto isolado, mas os oito distritos que compõem o município”, explicou.

Diante desse cenário, o sindicato tem intensificado a mobilização para que agricultores familiares façam a inscrição no Programa Garantia-Safra, cujo prazo está aberto na Bahia. Adriana reforça que o benefício é uma política pública essencial para reduzir prejuízos em casos de perda de produção. “O sindicato, enquanto representante da categoria, está todo momento mobilizando e incentivando as pessoas que estão dentro do perfil a se inscreverem no Garantia-Safra. É uma forma de se resguardar diante de situações adversas, como a estiagem”, pontuou.

Ela lembrou que o programa possui critérios específicos, como área plantada e comprovação da atividade agrícola, e que o sindicato atua diretamente na orientação dos produtores para garantir o acesso ao benefício.

Na manhã desta semana, a direção do sindicato se reuniu com o secretário municipal de Agricultura para tratar da contrapartida do Garantia-Safra, que envolve recursos das esferas municipal, estadual e federal. O encontro também teve como pauta a apuração de possíveis perdas no município. “Fomos questionar se houve acompanhamento, se foi feito o laudo técnico e como está esse processo, porque até então não tínhamos conhecimento se esse exercício foi realizado em Feira de Santana”, explicou Adriana.

Outro ponto central da atuação do sindicato é a requalificação do solo na zona rural do município. Em parceria com universidades, estão sendo realizados estudos e certificações para identificar as causas da queda na produtividade agrícola. “A cada ano vemos nossa produção diminuir. Às vezes até chove, mas a produção não corresponde. Estudos têm identificado que o solo apresenta deficiências de substâncias essenciais”, disse.

Além disso, Adriana alertou para o uso crescente de sementes transgênicas no município. “Estamos identificando um número significativo dessas sementes, o que exige um olhar mais atento. Isso representa riscos à saúde e ao nosso cotidiano. É uma luta permanente do homem e da mulher do campo”, afirmou.

Para o plantio de 2026, a expectativa segue condicionada à chegada de chuvas mais regulares. Apesar de precipitações pontuais registradas recentemente, Adriana avalia que elas ainda são insuficientes. “Houve chuva em alguns lugares, mas não foi geral. Esperamos que a trovoada chegue para encher as aguadas e atender uma necessidade urgente do meio rural”, concluiu.

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