Diretora da Fundac defende socioeducação, critica redução da maioridade penal e destaca inclusão de adolescentes trans em nova unidade

A inauguração da unidade socioeducativa feminina de Feira de Santana representa a realização de um antigo projeto da Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac). A avaliação é da diretora-geral da instituição, Regina Afonso, que considera a nova estrutura um avanço na garantia dos direitos previstos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase).

“Esse é um grande sonho que está sendo concretizado. Estamos oferecendo às adolescentes e jovens da Bahia uma unidade com condições adequadas de atendimento e garantindo aquilo que já está previsto na legislação brasileira”, afirmou.

Para Regina Afonso, a inauguração também representa uma resposta do Governo da Bahia ao debate nacional sobre a redução da maioridade penal.

“Essa é a resposta do governo às tentativas de apresentar a redução da maioridade penal como solução para a violência. Somos contrários a essa proposta porque entendemos que adolescente que comete ato infracional deve ser responsabilizado dentro do sistema socioeducativo e não ser encaminhado para o sistema prisional”, declarou.

Inclusão e respeito à identidade de gênero

Entre as novidades da unidade está a criação de oito vagas destinadas ao acolhimento de adolescentes trans. Segundo a diretora, o espaço foi planejado para garantir privacidade e, ao mesmo tempo, assegurar a participação dessas adolescentes em todas as atividades desenvolvidas pela instituição.

“Teremos vagas específicas para adolescentes trans, respeitando sua individualidade e garantindo que elas participem da rotina da unidade e das ações oferecidas”, explicou.

Educação como principal instrumento de transformação

Regina Afonso ressaltou que a educação continua sendo um dos pilares do trabalho desenvolvido pela Fundac.

“A educação é obrigatória e constitui uma das principais ferramentas para a transformação da vida desses adolescentes”, afirmou.

Ela destacou os resultados obtidos em Feira de Santana nas unidades já existentes, citando a participação dos jovens em programas educacionais e competições nacionais.

“Temos excelentes resultados no Enem para Pessoas Privadas de Liberdade, na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e em diversas iniciativas realizadas em parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana. Isso demonstra que a socioeducação produz resultados concretos”, disse.

Saúde, assistência psicossocial e profissionalização

Além do acesso à educação formal, a Fundac oferece acompanhamento na área da saúde, assistência psicossocial e cursos profissionalizantes.

Segundo Regina Afonso, essas ações são essenciais para garantir que os adolescentes tenham condições de construir um novo projeto de vida após o cumprimento das medidas.

“Trabalhamos para assegurar saúde, acompanhamento psicológico, assistência social e oportunidades de qualificação profissional. A maioria dos adolescentes atendidos é formada por jovens negros e moradores das periferias. Precisamos oferecer alternativas reais de inserção social e profissional”, afirmou.

Indicadores positivos

Embora a Fundac não acompanhe permanentemente os adolescentes após o encerramento das medidas, a diretora afirma que os resultados obtidos nas áreas educacional e profissional comprovam a eficácia do modelo socioeducativo.

“Recebemos muitos relatos de jovens que conseguiram dar continuidade aos estudos e ingressar no mercado de trabalho. Os resultados no Enem e em outros programas mostram que esse é o caminho que precisa ser fortalecido”, avaliou.

Para Regina Afonso, a nova unidade de Feira de Santana representa mais do que a ampliação do número de vagas.

“Estamos falando de uma política pública que busca oferecer oportunidades e construir caminhos para que essas adolescentes possam romper com a violência e retomar suas vidas em sociedade”, concluiu.

Related posts

Educação pública avança, mas desempenho desacelera ao longo da trajetória escolar

MP investiga vazamento de dados de 290 pacientes na Bahia, incluindo exames de HIV e hepatite

MP investiga exposição de dados de mais de 290 pacientes na Bahia, incluindo exames de HIV e hepatite