A agricultura familiar de Feira de Santana enfrenta um dos períodos mais difíceis dos últimos anos. A falta de chuvas ao longo de 2026 já provocou perdas na produção agrícola, impediu o preparo do solo em diversas comunidades rurais e ameaça também a criação de pequenos animais. O cenário preocupa produtores e representantes do campo, que alertam para o agravamento da situação caso a estiagem persista nos próximos meses.
Perda de safra já é realidade
Representando o Sindicato Rural, Adriana Lima afirma que a perda da safra já pode ser considerada uma realidade no município. Segundo ela, em várias localidades nem mesmo o preparo da terra foi possível por causa da falta de chuva.
“Estamos vivendo um momento extremamente difícil. Houve comunidades em que sequer foi possível preparar o solo para o plantio. Em outras, os agricultores plantaram, mas perderam praticamente toda a produção.”
Ela explica que a agricultura depende diretamente de dois fatores básicos: terra e água. Sem chuva, não há condições de manter o desenvolvimento das lavouras.
Falta de chuva compromete toda a produção
Os prejuízos atingem praticamente todas as culturas da agricultura familiar. Milho, feijão, mandioca e outras plantações de subsistência foram afetadas pelas altas temperaturas e pela ausência de precipitações.
Em algumas propriedades, as sementes chegaram a germinar, mas o desenvolvimento das plantas foi interrompido pela falta de umidade.
“O milho nasceu, o feijão também, mas o calor intenso não permitiu que as plantas se desenvolvessem. A lavoura precisa de sol, mas também precisa de chuva.”
Aguadas secas preocupam produtores
Além das perdas nas lavouras, Adriana chama a atenção para outro problema: a ausência das chamadas trovoadas, responsáveis por abastecer lagoas, aguadas e pequenos reservatórios utilizados pelos produtores rurais.
Sem essas reservas de água, cresce a preocupação com a alimentação e a dessedentação dos rebanhos.
“Até as aguadas estão secas. Isso compromete não apenas a produção agrícola, mas também a criação de ovinos e outros pequenos animais.”
Segundo ela, muitos agricultores familiares não possuem recursos para comprar alimentação complementar para os rebanhos, o que aumenta ainda mais a vulnerabilidade das famílias do campo.
Todos os distritos já sentem os impactos
De acordo com Adriana Lima, os efeitos da estiagem já são percebidos em praticamente todos os distritos de Feira de Santana.
Ela observa que, mesmo durante o período em que normalmente predominariam temperaturas mais amenas, o município enfrenta dias de forte calor, situação que acelera o ressecamento do solo e dificulta ainda mais a produção agrícola.
Reunião discute medidas para enfrentar a estiagem
Adriana Lima participou de uma reunião promovida pelo Território Portal do Sertão, que reuniu representantes de municípios, secretarias de Agricultura e da Defesa Civil para discutir os impactos da estiagem e os desafios para a agricultura familiar.
O encontro buscou avaliar o cenário climático e apontar estratégias que ajudem os produtores a enfrentar um período que promete ser ainda mais severo nos próximos meses.
Situação pode se agravar
Embora os impactos já sejam sentidos desde o início do ano, Adriana alerta que a previsão climática indica condições ainda mais desfavoráveis a partir do fim de agosto e durante o mês de setembro.
Sem a regularização das chuvas, a expectativa é de que os prejuízos continuem aumentando, comprometendo a produção de alimentos, a criação de animais e a renda das famílias que vivem da agricultura em Feira de Santana.