O acesso à Série A do Campeonato Baiano foi apenas o primeiro passo de um projeto de reconstrução do Fluminense de Feira. Em entrevista ao programa Dia A Dia News, o CEO da SAF do clube, Filemon Neto, fez um balanço da nova gestão, explicou o modelo de Sociedade Anônima do Futebol adotado pelo Touro do Sertão, falou sobre o fortalecimento das categorias de base, o planejamento para conquistar um calendário nacional, as finais da Série B e do Baiano Sub-20 e a expectativa pela concessão definitiva do Estádio Joia da Princesa.
Segundo o dirigente, o principal desafio enfrentado desde a chegada da SAF foi reconstruir a credibilidade do clube no mercado esportivo. Ele lembrou que o Fluminense enfrentava dificuldades para contratar atletas e treinadores em razão das campanhas anteriores e precisou recuperar a confiança do futebol baiano.
“O principal desafio foi reconstruir os vínculos administrativos, comerciais e a credibilidade do departamento de futebol. No início, ninguém queria jogar no Fluminense. Hoje qualquer atleta quer vestir essa camisa e isso mostra que o trabalho está dando resultado”, afirmou.
Filemon ressaltou que a implantação de uma nova cultura de gestão foi bastante criticada no início, mas a diretoria manteve o planejamento por entender que o projeto seria de longo prazo.
Modelo de SAF
Durante a entrevista, o CEO defendeu o formato de SAF adotado pelo Fluminense. Para ele, o sucesso depende menos do modelo jurídico e mais do compromisso dos investidores.
Segundo Filemon, a empresa responsável pela SAF é de Feira de Santana, o que cria um vínculo maior com o clube e com a cidade.
“Somos daqui, vivemos aqui e qualquer problema do Fluminense também reflete sobre nós. Isso aumenta nossa responsabilidade. Diferente de grupos que compram clubes sem nenhuma ligação com a região.”
Ele citou como exemplo clubes brasileiros que enfrentaram dificuldades após serem administrados por investidores sem identificação com suas cidades.
Divisão de base
Outro tema abordado foi a formação de atletas. O dirigente afirmou que o Fluminense busca se tornar financeiramente autossustentável por meio das categorias de base.
Segundo ele, receitas como patrocínio, sócio-torcedor e bilheteria são importantes, mas insuficientes para manter o projeto esportivo.
“O principal produto do clube é o jogador. Nossa prioridade é formar atletas.”
Ele destacou que jogadores revelados pelo Fluminense já estão em clubes como Vitória, Atlético Mineiro e Vitória de Guimarães, de Portugal, e que outros deverão integrar o elenco profissional nas próximas temporadas.
Planejamento esportivo
Filemon revelou que o planejamento para o acesso começou ainda em 2024. Após a frustração de não conquistar a vaga no ano passado, a diretoria decidiu manter um projeto robusto.
O dirigente contou que o elenco começou a ser montado ainda durante o Campeonato Baiano da Série A, quando parte dos atletas defendia o Jequié, e foi reforçado posteriormente com a chegada do técnico Edu, apontado por ele como peça importante na organização da equipe.
Segundo o CEO, a sequência de 12 jogos sem derrotas fortaleceu a confiança do grupo e aproximou novamente a torcida do clube.
Título é prioridade
Apesar da comemoração pelo acesso, Filemon garantiu que o foco agora é conquistar o título da Série B do Campeonato Baiano diante do SSA FC.
Ele afirmou que os atletas tiveram um breve momento de confraternização após o acesso, mas já retomam os treinamentos para a decisão.
“O acesso foi importante, mas queremos fechar esse trabalho sendo campeões.”
Finais no Joia da Princesa
O dirigente comemorou a definição do Estádio Joia da Princesa como palco das finais da Série B e também do Campeonato Baiano Sub-20.
Segundo ele, o clube estuda ações promocionais para incentivar a presença do torcedor nas duas decisões e fez um convite para que a torcida prestigie também a equipe sub-20.
“O sub-20 encanta pela forma de jogar. São atletas que já nasceram com o DNA do Fluminense.”
Calendário nacional
O CEO afirmou que o acesso representa apenas a primeira etapa da reconstrução. A próxima meta da SAF é garantir um calendário nacional para o clube.
“O Fluminense precisa voltar a disputar competições durante toda a temporada. Nosso objetivo é conquistar um calendário nacional e fazer o torcedor voltar a frequentar o Joia da Princesa regularmente.”
Concessão do Joia
Filemon também comentou a expectativa pela parceria público-privada envolvendo o Estádio Joia da Princesa. Segundo ele, a SAF aguarda a conclusão do processo para assumir definitivamente a gestão do equipamento.
A intenção é modernizar a estrutura do estádio e transformá-lo na casa permanente do Fluminense.
Relação com a torcida
Ao fazer um balanço da gestão, o dirigente destacou que um dos principais resultados do trabalho foi recuperar a identificação entre torcida e equipe.
“Hoje o torcedor conhece o elenco, acompanha os treinamentos, escala o time e se sente representado pelos jogadores. Essa conexão era algo que o Fluminense precisava recuperar.”
Filemon encerrou agradecendo o apoio da torcida durante a campanha e reforçou que o acesso não representa o fim do projeto, mas o início de uma nova fase para o clube, com metas voltadas à consolidação na Série A, conquista de calendário nacional e fortalecimento da base.