Fundação Hospitalar destaca expansão de serviços, acompanhamento especializado e classificação de risco na emergência
Além das ações relacionadas ao Agosto Dourado e ao incentivo ao aleitamento materno, o Hospital da Mulher, em Feira de Santana, também trabalha para ampliar a assistência oferecida às pacientes. A estrutura envolve atendimento ambulatorial, pré-natal de alto risco, saúde mental, acompanhamento médico especializado, assistência obstétrica e atendimento de emergência.
Em entrevista ao Dia a Dia News, a presidente da Fundação Hospitalar, Gilberte Lucas, falou sobre os desafios enfrentados pela unidade e sobre a necessidade de ampliar a oferta de serviços diante do crescimento da demanda.
Aumento da demanda exige ampliação dos serviços
Entre as áreas apontadas como prioritárias estão atendimentos especializados, como cardiologia, pediatria e uroginecologia, além dos serviços voltados à saúde da mulher.
Gilberte Lucas explicou que o desafio não está apenas em abrir uma vaga para uma nova consulta. Em muitos casos, a paciente permanece vinculada ao serviço durante meses.
“É melhorar na questão de atender uma demanda maior.”
Ela citou como exemplo o pré-natal de alto risco.
“Quando a paciente vai para um pré-natal de alto risco, não é uma consulta e vai embora. Ela fica vinculada ao serviço quase oito meses, nove meses.”
De acordo com a presidente, essa característica também aparece em outras áreas que foram implantadas pela Fundação Hospitalar.
Saúde mental e acompanhamento contínuo
A Fundação Hospitalar também ampliou a oferta de serviços relacionados à saúde mental. Segundo Gilberte, atualmente há atendimento com neurologista, psiquiatra e psicóloga.
O acompanhamento também é contínuo.
“Hoje a gente tem neuro, a gente tem médica psiquiatra, a gente tem psicóloga. Então elas ficam vinculadas ao ambulatório por um período.”
Ela explica que, nesses casos, a paciente não passa por uma única consulta e deixa o serviço.
“Elas não têm uma consulta e depois vão embora. Elas têm que retornar depois de 30 dias, retornar depois de 60 dias.”
Para Gilberte, esse modelo de acompanhamento faz com que a demanda aumente progressivamente e exige investimentos para ampliar a capacidade de atendimento.
“Quando acontece isso, você cada vez mais tem mais pacientes e você precisa aumentar o atendimento.”
Atendimento humanizado
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a importância do atendimento humanizado durante o parto e também no período pós-parto.
Gilberte Lucas afirmou que a Fundação Hospitalar vem promovendo capacitações e treinamentos para qualificar as equipes.
“A gente vem trabalhando com essas atividades, vem qualificando nossa equipe, vem trabalhando com as enfermeiras obstétricas em capacitação e treinamento. A equipe médica também.”
A avaliação do atendimento também passou a fazer parte desse processo. Segundo ela, pacientes atendidas nas unidades da Fundação começaram a receber mensagens para avaliar a assistência recebida.
“Algumas pessoas que já foram atendidas pelo atendimento da Fundação em qualquer unidade começaram a receber mensagens de como foi o atendimento.”
As respostas são encaminhadas para a instituição e analisadas mensalmente.
“Isso chega para a gente mensalmente para que a gente possa qualificar como está esse grau de atendimento e de melhoria, para que a gente possa trabalhar também em situações que a gente identifique que ainda estão tendo problema.”
Desafios ainda existem
Apesar dos avanços, a presidente reconheceu que ainda há pontos que precisam ser aprimorados.
“Não é 100% ainda. Precisa muita coisa melhorar, mas a gente vem fazendo o possível para dar uma assistência melhor, principalmente quando a gente sabe que tem uma demanda muito grande.”
A ampliação da estrutura e dos serviços aparece, portanto, como um dos principais desafios para acompanhar o número de pacientes que procuram a unidade.
Acolhimento na chegada ao hospital
Durante a entrevista, também foi abordada a necessidade de acolher pacientes que chegam à unidade em busca de atendimento, especialmente gestantes.
Gilberte explicou que a emergência trabalha com classificação de risco, procedimento utilizado para definir a prioridade de atendimento de acordo com a gravidade de cada caso.
“Existe uma classificação de risco. Às vezes a pessoa chega e diz: ‘Eu cheguei aqui, está no horário e passaram três pessoas na minha frente’. Mas tem que ver como elas foram classificadas.”
Segundo ela, a prioridade é definida de acordo com a situação clínica da paciente.
“Todas as pacientes que chegam na emergência são prioridades porque são gestantes. Todas. Então, você trabalha com a classificação de risco.”
A classificação pode fazer com que uma paciente seja atendida antes de outra que chegou anteriormente.
“Se uma gestante passou na frente de outra é porque ela foi classificada como mais urgente.”
Enfermeiras obstétricas fazem a classificação
A presidente explicou que as enfermeiras obstétricas têm papel importante nesse processo, já que são capacitadas para realizar a avaliação inicial.
“Hoje existem enfermeiras obstetras que classificam de imediato na porta, antes de passar até pelo médico, porque elas estão capacitadas para classificar.”
A classificação é identificada por cores, de acordo com o grau de prioridade.
“Se ela está lá com a pulseira vermelha ou laranja, ela não está com a verde ou azul.”
A orientação é que as pacientes compreendam que a ordem de atendimento não depende apenas do horário de chegada, mas principalmente da gravidade identificada pela equipe.
Assistência para mães e bebês
A discussão sobre humanização também está relacionada ao acompanhamento durante o parto e o pós-parto. O objetivo, segundo Gilberte, é oferecer uma assistência que considere não apenas o procedimento médico, mas também o acolhimento da paciente.
Esse trabalho envolve a capacitação das equipes, a avaliação da satisfação das pacientes e a identificação de pontos que ainda precisam ser melhorados.
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Hospital como porta de entrada
Durante a conversa, também foi ressaltada a importância do Hospital da Mulher como uma das principais portas de entrada para atendimento às mulheres em Feira de Santana.
A Fundação Hospitalar trabalha para atender as pacientes mesmo diante de uma demanda elevada, ao mesmo tempo em que utiliza a classificação de risco para estabelecer prioridades.
Para Gilberte Lucas, o desafio é conciliar o crescimento da procura com a necessidade de manter uma assistência qualificada e humanizada.
“A gente vem fazendo o possível para dar uma assistência melhor, principalmente quando a gente sabe que tem uma demanda muito grande.”
A ampliação dos serviços especializados, o fortalecimento do atendimento obstétrico, o acompanhamento das gestantes de alto risco e a melhoria contínua da assistência aparecem entre os principais pontos discutidos durante a entrevista.
Informação também faz parte do atendimento
A entrevista mostrou ainda que o atendimento às mulheres vai além da consulta ou do parto. Orientações sobre aleitamento, acompanhamento durante a gestação, apoio no pós-parto e encaminhamento para outras especialidades fazem parte de uma rede de assistência que busca acompanhar a paciente em diferentes momentos.
No caso do aleitamento materno, o Hospital da Mulher conta com o Banco de Leite Humano e equipes preparadas para orientar mães que enfrentam dificuldades, além de receber doações destinadas principalmente aos bebês prematuros internados.
Já na emergência, a classificação de risco organiza a prioridade dos atendimentos, enquanto os serviços especializados permitem que pacientes permaneçam acompanhadas por períodos mais longos, de acordo com a necessidade.
Assim, entre os desafios apresentados pela Fundação Hospitalar estão o aumento da capacidade de atendimento, a manutenção das equipes qualificadas, a ampliação dos serviços especializados e o aprimoramento constante do acolhimento oferecido às pacientes.