Projeto Novembro destaca a importância da prevenção, dos exames de rotina e dos hábitos saudáveis para garantir qualidade de vida durante o envelhecimento masculino.
O envelhecimento provoca mudanças naturais no organismo e exige cuidados específicos com a saúde. Entre os homens, algumas dessas transformações estão relacionadas à redução dos níveis de testosterona, à perda de massa muscular, às alterações na saúde sexual e ao surgimento de problemas urológicos. O assunto foi abordado nesta quarta-feira, durante o Projeto Novembro, em entrevista com a médica Dra. Noeliny Alves.

Durante a conversa, a profissional explicou que, diferentemente da menopausa, amplamente discutida quando se fala sobre o envelhecimento feminino, as alterações hormonais masculinas ainda são pouco abordadas.
“Na mulher, muito se fala da menopausa, mas, no homem, pouco se fala da andropausa, que é essa diminuição dos hormônios, a deficiência androgênica relacionada ao envelhecimento masculino”, explicou.
Segundo a médica, a redução gradual da testosterona pode provocar diversas alterações no organismo.
“Vai acontecer a perda progressiva da massa muscular, diminuição da força física, aumento do percentual de gordura, principalmente na região abdominal, além de alterações sexuais, como a diminuição da libido. O metabolismo energético também diminui, o que pode favorecer o cansaço e os distúrbios do sono, como a insônia”, destacou.
Outro ponto de atenção é a saúde urológica. Com o avanço da idade, pode ocorrer o crescimento benigno da próstata, condição conhecida como hiperplasia prostática benigna.
“É muito comum no homem, à medida que vai envelhecendo, e pode causar desconforto, alterações no fluxo urinário, perda da força do jato e até incontinência urinária”, alertou Noeliny Alves.
Prevenção e acompanhamento médico
De acordo com a médica, os homens devem intensificar os cuidados preventivos a partir dos 40 a 45 anos, período em que começam a ser considerados importantes rastreamentos e avaliações de saúde.
“É a partir dos 40 a 45 anos que começam os principais rastreamentos das doenças preventivas no homem. É importante ter essa percepção de que o envelhecimento também exige cuidados, principalmente com a perda de massa muscular e de massa óssea”, ressaltou.
Entre os cuidados, estão a avaliação da saúde da próstata, incluindo a dosagem do PSA e o exame de toque retal, quando indicados pelo médico. Também é importante acompanhar os indicadores de saúde cardiovascular e metabólica.
“O homem precisa fazer o rastreamento das doenças cardiovasculares, porque, com o envelhecimento, aumenta o risco de infarto e hipertensão. Também é importante investigar alterações metabólicas, como colesterol, triglicerídeos e glicemia”, orientou.
A frequência das consultas deve ser definida individualmente, considerando a idade, o histórico familiar, as condições de saúde e os resultados dos exames.
Hábitos saudáveis fazem a diferença
A prevenção de doenças crônicas, como diabetes e problemas cardiovasculares, também depende diretamente das escolhas do dia a dia. A médica destaca a importância de manter uma alimentação equilibrada, evitar o consumo excessivo de alimentos industrializados, praticar atividades físicas regularmente e cuidar da qualidade do sono.
“A mudança dos hábitos de vida é o principal. É importante praticar pelo menos 150 minutos de atividade física durante a semana, alimentar-se bem, evitar alimentos industrializados e o sedentarismo, além de dormir bem”, recomendou.
Ao finalizar a entrevista, Dra. Noeliny Alves deixou uma mensagem de conscientização, especialmente neste período de campanha do Novembro Azul.
“O primeiro passo para evitar consequências maiores é procurar atendimento e realizar os exames. Tudo aquilo que conseguimos detectar mais cedo tem melhores possibilidades de tratamento, e o prognóstico sempre é mais positivo”, enfatizou.
A entrevista integra as ações do Projeto Novembro Azul, que busca ampliar o acesso à informação e incentivar a população a cuidar da saúde em todas as fases da vida.
Cuidar da saúde também é coisa de homem. A prevenção deve fazer parte da rotina, e não apenas acontecer quando os primeiros sintomas aparecem.
Com informações, escrita:Fernanda Martins Foto:Divulgação
