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“Já chorei o que tinha que chorar, já me decepcionei o que tinha que me decepcionar”, relata Ângelo Coronel após sua saída do PSD

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O senador Ângelo Coronel confirma que deixará o PSD após perder espaço na montagem da chapa majoritária de 2026 — movimento que, nos bastidores, é visto como decisivo para destravar o impasse na composição do palanque do presidente Lula na Bahia.

Durante entrevista ao programa Dia a Dia News, o senador detalhou o andamento das conversas com o União Brasil, liderado por ACM Neto, e comentou as negociações que mantém com o PSDB e o Republicanos em relação ao pleito de 2026.

“Com o ACM Neto, mantemos conversas regulares. Como ele próprio mencionou, cultivamos uma amizade pessoal. Em nossos encontros, ele sempre ressalta que, após minha eventual saída do partido e ingresso em outra agremiação, poderemos iniciar discussões políticas. Portanto, ainda não há nada oficializado, pois aguardamos essa transição para formalizar as conversas sobre as eleições de 2026.”

Sobre a possível formação de uma chapa composta pelo candidato a governador ACM, pela vice-governadora Rogéria Santos (Republicanos), por ele próprio (partido ainda a definir) e pelo deputado João Roma (PL), o senador ponderou:

“Não posso confirmar essa chapa, pois envolve indicações partidárias. Não costumo interferir em assuntos internos de outros partidos. Não posso assegurar a participação da senhora Rogéria Santos ou do deputado João Roma. O que ouço no meio político é que essa composição é uma possibilidade. Contudo, é necessário debater e ajustar os detalhes. O processo eleitoral é longo. Faltam oito meses para as eleições, o que representa um período considerável de construção política.”

Ao avaliar sua relação com o PSD, partido do qual é fundador desde 2011, Coronel explicou sua decisão de saída:

“Sou fundador do PSD desde 2011. No entanto, o partido não me ofereceu a legenda quando solicitei. Diante disso, optei por sair. Mesmo que permanecesse independente, seria necessário buscar apoio para a minha candidatura junto ao governador. Não faria sentido pedir apoio a quem não me deseja. Por isso, preferi me desvincular para ter liberdade de definir meu futuro político.”

O senador também destacou que sua decisão tem sido construída de forma coletiva:

“Nos últimos dias, tenho mantido encontros com diversas pessoas, o que tem me ajudado na tomada de decisões. Após sete anos no Senado, construí uma vasta rede de amigos na Bahia. A decisão não é solitária. É fundamental ter convicção, mas também dialogar. A democracia se baseia na abertura e no diálogo. Não sou um político que acredita que sua vontade seja a única verdade. Em várias ocasiões, precisei rever posições porque amigos e familiares me mostraram outros caminhos.”

Sobre sua atuação política e a relação com os 115 prefeitos do PSD, Coronel ressaltou:

“Desses 115 prefeitos, muitos são aliados e mantêm vínculos com diversos deputados. Conheço cada um deles. Coloco meu nome à disposição. Se os prefeitos entenderem que devo continuar como senador para defender o municipalismo, a redução de encargos previdenciários — uma legislação que propus — e a reforma tributária, especialmente no imposto de renda retido na fonte, estarei à disposição.”

Ele alertou ainda para os impactos da política fiscal sobre os municípios:

“A isenção do imposto de renda não pode prejudicar o contribuinte, que, nesse caso, são as prefeituras, que já enfrentam dificuldades. Sem recursos, os prefeitos não conseguem administrar, e isso gera frustração na população.”

Coronel destacou sua atuação no Senado:

“Ao longo desses sete anos, tenho auxiliado os municípios com emendas, beneficiando cerca de 90% das cidades da Bahia. A pauta previdenciária, por exemplo, impactou aproximadamente 84% dos municípios brasileiros. Defendo o municipalismo. Se prefeitos de diferentes partidos desejarem que eu continue como senador, coloco meu nome à disposição.”

Sobre sua saída do PSD e a relação com o senador Otto Alencar, afirmou:

“A mentira, quando utilizada, exige outras mentiras para sustentá-la, o que leva ao fracasso. Otto Alencar não guarda ressentimentos. Ele seguirá sua trajetória política focado em seus objetivos. Desejo sucesso a ele, sem desejar mal a ninguém.”

O senador também revelou frustração com mudanças internas no partido:

“Durante o ano, ouvi que, sem o PSD na chapa, haveria ruptura. Depois, o discurso mudou, indicando apoio a Jerônimo independentemente da presença de Leandro na chapa. Essa mudança, enquanto eu estava fora do Brasil, foi uma grande decepção. Tínhamos uma estratégia para pressionar o governo a manter a vaga do PSD, mas, ao final, minha vaga foi retirada, o que foi extremamente frustrante.”

Em tom emocionado, Coronel falou sobre o impacto pessoal da decisão:

“Senti muito. Meu plano, que envolvia deputados, prefeitos, vereadores e lideranças, foi abruptamente interrompido. Foi como se minha candidatura tivesse sido ceifada. A decisão foi unilateral, sem diálogo ou explicação, sob a justificativa de garantir a vaga ao PT.”

Ele afirmou que esta será sua última entrevista sobre o tema:

““Já chorei o que tinha que chorar, já me decepcionei o que tinha que me decepcionar. Busco minha paz interior. Já expressei minha tristeza, lidei com a decepção e segui em frente. Busquei força em Deus, nos amigos e na família.”

Por fim, o senador destacou o apoio que vem recebendo:

“Recebi centenas de mensagens e manifestações de apoio. Em Salvador, recebo diariamente prefeitos, vereadores e lideranças do interior. Peço que evitem manifestações públicas para não sofrerem retaliações. Tenho esperança de que esse processo evolua até as eleições de outubro. Não tenho dúvidas de que 90% dos 417 prefeitos da Bahia votarão em Ângelo Coronel para o Senado.”

Questionado sobre a possível ida de Ronaldo Caiado (PSD), respondeu de forma objetiva:

“Uma jogada bem feita. O presidente Gilberto Kassab é visionário nessa questão política. O que ele imagina? Há a candidatura de Lula, da extrema esquerda, e a candidatura de Flávio Bolsonaro, da extrema direita. Então, o que Kassab pensou? Vamos construir uma candidatura de centro, porque quem não quer votar nem na extrema esquerda nem na extrema direita terá uma opção de centro. E aí surgem nomes como o filho de Caiado, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, governador do Paraná. Foi feito aquele pacto — vocês já leram — de que, mais à frente, daqui a três ou quatro meses, aquele que estiver melhor nas pesquisas será o candidato à Presidência da República pelo centro.”

Assim, o eleitor terá opções: quem é de esquerda vota em Lula, quem é de direita vota em Flávio Bolsonaro e quem é de centro terá essa alternativa. Ele não quer mais essa dicotomia, essa raiva que está imperando no Brasil. A proposta é voltar ao centro.”

Escrita pela estagiária Fernanda Martins, com informações Miro Nascimento. Foto: Divulgação

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