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Desapropriação histórica reacende debate sobre revitalização do centro de Feira e fortalecimento do comércio

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A desapropriação do terreno ao lado do Paço Municipal para a construção do futuro centro administrativo da Prefeitura de Feira de Santana segue repercutindo entre representantes da sociedade civil e do setor empresarial. Para lideranças ligadas ao comércio, a iniciativa representa mais do que uma obra de infraestrutura: simboliza uma estratégia de revitalização urbana, fortalecimento econômico e valorização do centro da cidade.

Durante entrevista concedida nesta quinta-feira, o empresário e representante do setor comercial Marco Silva destacou que a decisão da gestão municipal pode evitar um processo de esvaziamento vivido por grandes cidades brasileiras, onde órgãos públicos foram transferidos para áreas mais afastadas, provocando perda de movimento e enfraquecimento das regiões centrais.

Segundo ele, Feira de Santana ainda possui um centro comercial “vibrante e forte”, mas já começa a sentir sinais de desgaste e perda de dinamismo.

“A gente precisa tomar como exemplo as grandes cidades que tiraram os órgãos municipais, estaduais e federais do centro e depois tentaram recuperar essas áreas. Isso é muito caro e geralmente não conseguem. Enquanto a gente ainda tem um centro vibrante, a Prefeitura dá um passo à frente ao desapropriar uma área grande, que vai permitir uma estrutura moderna, com estacionamento e acessibilidade, preservando a movimentação econômica do centro”, afirmou.

Comércio vê oportunidade de reaquecer o centro

Marco Silva ressaltou que a presença de um centro administrativo moderno na região central pode impulsionar novos investimentos, estimular o funcionamento de serviços e ampliar a circulação de pessoas durante todo o dia.

Ele citou, inclusive, mudanças percebidas nos últimos anos, como a redução de estabelecimentos funcionando à noite e a dificuldade de encontrar determinados serviços no centro da cidade após o horário comercial.

“Nós já sentimos algumas decadências no centro. Você procura hoje à noite uma padaria, um restaurante, alguns serviços, e já não encontra com facilidade. Então, tudo isso vai revigorar o centro e é fundamental para manter emprego, renda e geração de riqueza em nossa cidade”, declarou.

Marco Silva

A expectativa do setor empresarial é que a construção do equipamento público incentive comerciantes a modernizarem suas lojas e atraia novos segmentos econômicos para a região.

Diálogo com empresários e melhorias urbanas

Durante a entrevista, Marco Silva também destacou a importância do diálogo entre a Prefeitura e o empresariado para garantir que o projeto venha acompanhado de melhorias urbanas, especialmente na mobilidade e na infraestrutura do centro comercial.

Segundo ele, a intenção é colaborar com sugestões e construir soluções conjuntas que tornem a região mais acessível e atrativa para comerciantes, consumidores e moradores.

“O prefeito tem dialogado muito com a gente. O papel agora é contribuir com ideias, incentivar melhorias nas lojas e trazer outros segmentos para o centro. Precisamos estabelecer um diálogo permanente para construir programas realmente efetivos”, afirmou.

Entre os pontos defendidos pelo empresário estão investimentos em acessibilidade, estacionamento, ordenamento urbano e medidas voltadas à mobilidade.

Ele também mencionou a importância de iniciativas como a Zona Azul e ações que reduzam impactos no trânsito da região central.

Centro também pode voltar a ser espaço de moradia

Outro aspecto destacado por Marco Silva foi a necessidade de incentivar novamente a ocupação residencial da região central de Feira de Santana. Segundo ele, bairros e áreas como Senhor dos Passos, Praça da Bandeira, Praça João Pedreira, início da Avenida Getúlio Vargas e Kalilândia possuem estrutura urbana consolidada e potencial para voltar a atrair moradores.

“A gente precisa resgatar a vontade das pessoas de morarem no centro novamente. Aqui já existe coleta de lixo, água, energia, esgoto, toda uma estrutura pronta. Precisamos maximizar essa riqueza que é o centro de Feira de Santana”, disse.

Para ele, estimular a moradia na região central também contribui para melhorar a qualidade de vida da população, reduzir deslocamentos e diminuir impactos no trânsito urbano.

“Quando você mora perto de tudo, pode sair de casa caminhando. Isso ajuda na mobilidade e torna a cidade mais humana. No fundo, o que a gente quer é que as pessoas tenham mais qualidade de vida”, pontuou.

Expectativa de transformação urbana

A desapropriação anunciada pela Prefeitura faz parte do projeto de implantação de um novo centro administrativo municipal, proposta defendida pelo prefeito José Ronaldo como uma forma de centralizar secretarias e órgãos públicos em um único espaço, reduzindo custos operacionais e melhorando o atendimento à população.

A expectativa é que o empreendimento provoque impacto direto na dinâmica econômica e urbana da região central, ampliando a circulação de pessoas, fortalecendo o comércio e impulsionando novos investimentos.

Ao final da entrevista, Marco Silva classificou a data como um marco para o município.

“Hoje é um dia muito importante para Feira de Santana. Temos que comemorar”, concluiu.

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