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Dia de Conscientização sobre a Obesidade Infantil reforça importância da prevenção e dos hábitos saudáveis

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Celebrado nesta quarta-feira (3), o Dia de Conscientização sobre a Obesidade Infantil chama a atenção para um problema de saúde que vem crescendo nos últimos anos e que exige a participação ativa das famílias, escolas e profissionais de saúde. Muito além de uma questão estética, a obesidade infantil está associada ao desenvolvimento de diversas doenças e pode trazer impactos físicos, emocionais e sociais para crianças e adolescentes.

De acordo com a nutricionista Laíze Brito, a obesidade infantil é uma condição multifatorial, ou seja, diversos fatores contribuem para o seu desenvolvimento.

Laíze Britto | Nutricionista- Especialista em Nutrição Materno Infantil

“A obesidade infantil é uma condição multifatorial. Existem vários fatores para poder estar desenvolvendo realmente essa obesidade. Entre os principais fatores está o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcares, gorduras e sódio, a redução da prática de atividade física e o excesso de tempo em frente às telas. Além disso, fatores genéticos, emocionais, ambientais e socioeconômicos também podem influenciar no desenvolvimento dessa obesidade”, explica.

Um dos fatores que mais preocupa os especialistas atualmente é o aumento do tempo que crianças e adolescentes passam utilizando celulares, computadores, videogames e assistindo televisão. Segundo Laíze Brito, esse comportamento tem influência direta no ganho de peso e na piora dos hábitos alimentares.

“O excesso de telas acaba estando associado ao comportamento sedentário. Ele reduz o gasto energético dessa criança, que vai passar a maior parte do tempo sentada. Além disso, muitas crianças costumam consumir alimentos industrializados enquanto estão diante das telas e não têm atenção plena ao que comem. Acabam ingerindo mais do que realmente precisam.”

A nutricionista destaca que esse hábito interfere até mesmo na percepção natural do organismo.

“Esses alimentos industrializados, em sua grande maioria, possuem excesso de açúcares, gorduras e sódio. E o fato de a criança estar sempre atenta às telas dificulta a percepção dos sinais de fome e saciedade.”

Família é peça-chave na formação dos hábitos

Para Laíze Brito, a família exerce um papel fundamental na prevenção da obesidade infantil, já que as crianças tendem a reproduzir os comportamentos observados dentro de casa.

“A família, sem dúvidas, tem um papel fundamental na formação dos hábitos alimentares das crianças. As famílias são responsáveis pelo que vai no prato da criança. Crianças aprendem principalmente pelo exemplo. Quando os pais mantêm uma alimentação equilibrada, realizam refeições em família e incentivam o consumo de alimentos saudáveis, a criança tende a reproduzir esse comportamento.”

Por outro lado, a especialista alerta que rotinas marcadas pelo consumo frequente de alimentos ultraprocessados e refeições realizadas de forma inadequada podem favorecer o desenvolvimento da obesidade.

“Quando existe uma rotina baseada em fast food, ultraprocessados, refeições irregulares, sempre em frente às telas e com pressa na hora de comer, isso influencia diretamente no comportamento alimentar da criança.”

Consequências vão além da estética

A nutricionista reforça que a obesidade infantil não deve ser encarada apenas como uma questão relacionada à aparência física. O excesso de peso está associado a diversas doenças que podem surgir ainda na infância.

“A obesidade não é uma questão só de estética. A obesidade infantil aumenta o risco de diversas doenças como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alterações do colesterol, triglicerídeos elevados, gordura no fígado, problemas respiratórios, distúrbios do sono e doenças cardiovasculares.”

Além dos impactos físicos, a condição também pode provocar consequências emocionais importantes.

“Ela também pode impactar a saúde emocional dessas crianças, favorecendo baixa autoestima, ansiedade, depressão e dificuldade de socialização.”

Outro ponto de atenção é que o excesso de peso na infância costuma persistir ao longo da vida.

“Estudos mostram que crianças com obesidade possuem maior probabilidade de manter o excesso de peso na adolescência e na vida adulta. Quando isso está associado à genética, as chances aumentam ainda mais. Quanto mais precoce e persistente for a obesidade, maior será o risco de desenvolver doenças crônicas ao longo da vida.”

Prevenção começa dentro de casa

Segundo Laíze Brito, não existem fórmulas milagrosas para prevenir a obesidade infantil. O segredo está na adoção de hábitos saudáveis por toda a família.

“A obesidade precisa ser combatida com alimentação equilibrada junto com atividade física. Os pais podem oferecer uma alimentação variada e equilibrada, estimular o consumo de frutas, verduras e legumes, limitar os alimentos ultraprocessados, incentivar a atividade física e reduzir o tempo de tela.”

A especialista reforça a importância de priorizar alimentos naturais.

“Não temos fórmulas mágicas, mas precisamos dar prioridade aos alimentos de verdade, que são frutas, verduras, legumes e folhas.”

Ela também chama a atenção para a importância de respeitar os sinais naturais do organismo.

“É importante respeitar os sinais de fome e saciedade e evitar o consumo de comida durante a exposição às telas. A criança precisa aprender a identificar quando realmente está com fome e fazer boas escolhas alimentares.”

Outro cuidado necessário, segundo a nutricionista, é não utilizar a alimentação como forma de recompensa ou punição.

“Devemos evitar usar comida como recompensa ou punição. O ambiente positivo em relação aos alimentos é muito importante para que a criança desenvolva uma relação saudável com a alimentação.”

Restrições e imposições podem gerar resistência

Laíze Brito explica que proibir completamente determinados alimentos ou forçar a criança a comer pode produzir efeito contrário ao desejado.

“Forçar a criança a comer ou proibir completamente determinados alimentos pode gerar mais resistência. O mais eficiente é oferecer opções saudáveis regularmente, introduzir novos alimentos de forma gradual, envolver a criança no preparo das refeições e apresentar novos alimentos sem pressão.”

Segundo ela, o exemplo continua sendo uma das ferramentas mais eficazes na construção de hábitos saudáveis.

“Dar o exemplo por meio das escolhas alimentares de toda a família é fundamental.”

Acompanhamento profissional é indispensável

A nutricionista orienta que os pais procurem ajuda especializada sempre que perceberem alterações importantes no crescimento ou no peso da criança.

“Sinais como ganho de peso acelerado, dificuldade para acompanhar atividades físicas compatíveis com a idade, aumento progressivo das medidas corporais, alterações em exames laboratoriais e histórico familiar de doenças relacionadas à obesidade merecem atenção.”

Ela explica que a avaliação profissional permite identificar precocemente possíveis riscos e definir estratégias adequadas para cada caso.

“A avaliação profissional é fundamental porque o crescimento infantil deve ser analisado por meio de curvas específicas para cada idade e sexo. O acompanhamento nutricional e pediátrico permite avaliar o estado nutricional, identificar possíveis causas e orientar estratégias adequadas para cada fase do desenvolvimento.”

A especialista também faz questão de esclarecer que o tratamento da obesidade infantil não é baseado em dietas restritivas.

“A criança não faz dieta. O tratamento é baseado principalmente na mudança de hábitos. O foco não é restringir, mas construir hábitos saudáveis e sustentáveis para que esse comportamento sedentário seja modificado.”

Pequenas mudanças fazem grande diferença

Neste Dia de Conscientização sobre a Obesidade Infantil, a principal mensagem dos especialistas é que a prevenção começa dentro de casa e que pequenas mudanças podem gerar grandes impactos na saúde das crianças.

“A obesidade pode ser prevenida e tratada. Pequenas mudanças na rotina da família fazem uma grande diferença. Introduzir frutas no dia a dia, trocar alimentos industrializados por alimentos naturais e incentivar a prática de atividades físicas são atitudes que ajudam a construir um futuro mais saudável.”

Para Laíze Brito, mais importante do que falar sobre peso é discutir qualidade de vida e bem-estar.

“Mais do que falar sobre peso, precisamos falar sobre qualidade de vida, alimentação equilibrada, movimento, bem-estar e cuidado. Investir em hábitos saudáveis na infância é proporcionar mais saúde e melhores oportunidades para o futuro dessa criança. Criança saudável tem mais chances de se tornar um adulto saudável. E nenhuma criança muda seus hábitos sozinha. Quando a família participa, incentiva e dá o exemplo, o cuidado com a saúde se torna muito mais efetivo e duradouro.”

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