O aumento dos casos de gripe na Bahia tem chamado a atenção de profissionais de saúde, principalmente pelo volume registrado nas últimas semanas. Apesar disso, o cenário é considerado esperado para esta época do ano, marcada pela maior circulação de vírus respiratórios.
Em entrevista ao programa Dia a Dia News, o infectologista Igo Araújo explicou que a sazonalidade é um dos principais fatores para o crescimento dos casos. “A gripe é uma doença infecciosa sazonal. Nessa época do ano, com a chegada do outono e a proximidade do inverno, há uma maior circulação de vírus, principalmente o influenza”, afirmou.
O médico também destacou que as condições climáticas contribuem para o aumento das infecções. Segundo ele, as temperaturas mais amenas favorecem o ressecamento e a irritação das vias respiratórias, deixando o organismo mais vulnerável. “É como um cenário ideal para a infecção: uma mucosa mais fragilizada e o vírus circulando com mais intensidade”, explicou.
Sobre os sintomas, o infectologista ressaltou que a febre é um dos principais indicativos da gripe causada pelo vírus influenza. “Os sintomas gripais incluem nariz escorrendo, tosse, cansaço e mal-estar. A febre chama atenção, embora nem todos os casos apresentem esse sinal”, pontuou. Ele lembrou ainda que, quando não há febre, o quadro pode ser classificado como resfriado, geralmente causado por outros vírus.
Igo Araújo também comentou sobre o aumento expressivo nos números, que muitas vezes assusta a população. De acordo com ele, os dados precisam ser analisados com cautela. “Quando comparamos com períodos como janeiro, em que a circulação do vírus é menor, qualquer aumento agora se torna muito significativo. Mas é algo esperado para essa época do ano”, explicou.
Mesmo sendo um cenário típico, o especialista reforça que medidas de prevenção são essenciais para reduzir os casos. A principal delas é a vacinação. “A vacina é a maior forma de prevenção. Ela não causa gripe, pois é feita com vírus inativado. Muitas pessoas confundem porque acabam adoecendo no mesmo período em que se vacinam”, esclareceu.
Além da vacinação, o infectologista orienta que pessoas com sintomas adotem cuidados como isolamento por pelo menos cinco dias, uso de máscara e higiene das vias respiratórias. Em casos leves, o tratamento pode ser feito em casa, com hidratação, lavagem nasal e medicamentos para alívio dos sintomas.
No entanto, ele alerta para sinais de agravamento. “Se a febre persistir por mais de 48 a 72 horas, ou se houver piora do estado geral, dificuldade para respirar ou falta de alimentação, é essencial procurar atendimento médico”, destacou.
Por fim, o especialista chamou atenção para a importância de combater a desinformação, especialmente em relação às vacinas. “A gente ainda vê muita circulação de informações erradas. O melhor caminho ainda é a prevenção”, concluiu.